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| Crédito: cottonbro studio |
De repente era mentira
O que pensei ser verdade.
E o “felizes para sempre”
Já não passa de saudade.
Agora é pura tristeza
O que foi felicidade.
De repente ficou só
A perfeita companhia
Trocando a bela aventura
Por mera monotonia
E o sorriso de esperança
Tornou-se melancolia.
De repente o grande amante
Não era mais que um amigo
Sobrando imenso deserto
Daquele tremendo abrigo
E o maravilhoso sonho
Resultou em tal castigo.
De repente as nobres juras
Viraram decepção,
Do sonho sobre o futuro
Ficou só a frustração.
O plano de vida a dois
Resultou em solidão.
De repente as mãos unidas
Para sempre se soltaram,
Dos olhos, antes brilhantes,
Muitas lágrimas rolaram.
Aquelas bocas famintas
Por mais nada se beijaram.
De repente a tal certeza
Foi um cruel desengano
E o sentimento sublime
Passou a ser desumano
E o compromisso tão leve
Tornou-se o maior tirano.
De repente o veloz tempo
Por uns instantes parou
E o amanhã promissor
Ah, este jamais chegou.
E aquela convicção
Afinal se equivocou.
De repente escureceu,
Apagou-se a bela luz.
O precioso troféu
Assumiu forma de cruz,
A estrada pro paraíso
Hoje ao calvário conduz.
De repente veio o eclipse
Sobre a lua mais brilhante,
Agora tem tom banal
O que foi emocionante.
Agora se olha pra trás
Não se enxergando adiante.
De repente o trem parou
Antes do fim da viagem,
Cobriu-se de espesso gelo
Aquela linda paisagem.
Ficou-se sem ida ou volta,
Não existe mais passagem.
De repente em preto e branco
Tornou-se o tão colorido,
Desmoronou-se o castelo
Cuidadosamente erguido,
Caiu chuva de granizo
Em nosso jardim florido.
De repente um lindo sonho
Virou coisa do passado,
Uma lembrança em retrato
Claramente desbotado.
De repente assim ficou
Pra sempre tudo acabado.

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