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domingo, 30 de agosto de 2026

O INCANSÁVEL SEMEADOR DE POESIA

Foto fornecida pelo autor

Hoje o blog Cosmo Literário tem o orgulho e grande satisfação de entrevistar o grande divulgador da poesia popular brasileira, coordenador do grupo Desafios Poéticos, Cléber Duarte. Mas antes, de começarmos nossa conversa, vamos saber um pouco de sua história:

CLEBER DUARTE é um poeta potiguar nascido em Umarizal-RN, usa o pseudônimo de "Chico Furtado" nas redes sociais. Mora no Centro-Oeste brasileiro há quase 30 anos. Administrador de empresas por formação. Começou a fazer versos já no alto dos seus 37 anos, exatamente em 2018, mesmo ano do nascimento do seu primogênito: Vinícius.  Oito anos depois, em abril de 2026, nasceram os gêmeos Victor e Levi, diz ele, com todas as palavras, que renasceu poeta após o nascimento do seu primeiro filho. Casado desde 2012 com Rosy, filho de Ivete Duarte e João Furtado Sobrinho, irmão de Cleuma e Kleiton.

Escreve diversas modalidades de poesias, define-se como um ser muito curioso e, por essa razão, busca aprender tudo o que for possível sobre o fazer poético. É, atualmente, coordenador do importante Projeto Cultural: Desafios Poéticos.

Seja bem-vindo, poeta Cléber Duarte, ao nosso espaço de entrevistas do blog Cosmo Literário.

Olá, meu Poeta Márcio Fabiano, muito obrigado pelo convite. É uma honra bater esse bate-papo poético contigo, aproveito para saudar a todos que estão tendo acesso a essa conversa. Esperamos que seja produtiva e instrutiva.

Cleber, para começarmos essa nossa conversa, como foi que a poesia entrou na sua vida? Foi um estalo na infância ou algo que desabrochou mais tarde? Conte-nos como se deu esse contato entre vocês.

Então, poeta. Acredito que a poesia já nasceu comigo, mas estava adormecida, e ela despertou com o nascimento do meu primeiro filho, Vinícius, há 8 anos e alguns meses. A emoção de ser pai foi tão grande, que busquei uma forma de me expressar e a poesia se apresentou como esse instrumento e desde então, escrevo... E nesse ano, Deus nos presenteou com mais duas inspirações: Victor e Levi, portanto, motivos para escrever não faltam!

Sabemos que todo escritor começou como leitor. No seu caso, quais são as suas maiores referências literárias? Quem são os escritores que moldaram o seu estilo de escrita?

Sempre gostei muito de ler, mas não tinha o hábito de ler poesia, era mais contos, prosas, romances... Mas desde que me descobri poeta, sou um leitor assíduo de poesia, especialmente os gêneros de estrutura fixa, ou seja, rimada e metrificada, sou visitante assíduo de sebos, um caçador de raridades. Gosto muito dos poetas antigos, mas bebo muito na fonte dos contemporâneos também, dentre os mais antigos, aprecio: Patativa do Assaré, Fernando Pessoa, Ronaldo Cunha Lima, Cancão, Rogaciano Leite, Cecília Meirelles... Já dentre os contemporâneos, Dedé Monteiro, Luiz Gonzaga Maia e todos os poetas do Desafios Poéticos... Aprecio e aprendo, diariamente.

Ao visitar suas redes sociais, acabei descobrindo, no Instagram, que você adota o pseudônimo de Chico Furtado. De onde veio essa ideia e qual a razão de adotar um pseudônimo? Por que a escolha por esse nome?

Chico Furtado é meu nome também, me chamo: Francisco Cleber Duarte Furtado. Há quem ainda não saiba que se tratam da mesma pessoa, quando decidi criar um perfil no Instagram, pensei que não o faria com o meu nome mais conhecido, pois queria dedicá-lo somente a poesia e ele é assim até hoje, então tive a ideia de criar com o Chico Furtado.

Cleber, hoje você está à frente de um grupo denominado Desafios Poéticos. Poderia nos contar um pouco da história do grupo? Como foi que ele nasceu? Quando você começou a participar? Como que objetivos esse grupo foi criado?

O Desafios Poéticos, foi fundado e idealizado pelo poeta paraibano, Antônio Medeiros (Medeirão), juntamente com o seu primo, poeta José Medeiros e o poeta Bernardino Bezerra (os dois últimos in memoriam), teve o seu marco inicial, no dia 13 de dezembro de 2020, com o objetivo principal e o intuito de praticarem e aprimorarem o fazer poético, através de motes a serem glosados e estrofes analisadas e classificadas, com a dinâmica de um concurso poético diário. Inicialmente com pouco mais de uma dezena de membros, hoje temos 70 componentes. Esse nome: Desafios Poéticos, fora sugerido pelo poeta Bernardino Bezerra e aceito pelos demais pares, por se tratar exatamente de um desafio diário de poesia de bancada, onde a prática e a troca de experiências moldaram e até hoje contribuem para a evolução da escrita de todos os membros. Em 18 de maio de 2021, fui convidado pelo Poeta Luiz Gonzaga Maia e de pronto aceitei o convite quando ele me disse como era a dinâmica.

O projeto alcançou marcos incríveis de audiência e episódios distribuídos. Você poderia nos falar um pouco sobre o número de episódios já lançados, plataformas em que eles se encontram, além de números de países e ouvintes alcançados com esses episódios?

Ainda no mês de maio de 2021, começamos a publicar os trabalhos declamados nos canais de streamings, inicialmente pelo Spotify e hoje podem ser apreciados por diversas plataformas, dentre elas o Youtube, Amazon Music, Apple Podcast, Deezer dentre outros, por entender que tão belas poesias deveriam ganhar asas e atingir corações no mundo inteiro. Em decorrência, desse trabalho diário, de criação e divulgação dos episódios, estamos prestes a completar as 2100 edições. O nosso programa possui audiência em mais de 110 países, divididos em 5 continentes.

Tendo em vista esse alcance extraordinário por tantos países que, em sua maioria, não falam o nosso idioma, como você entende que outras nações e outras línguas apreciem a nossa poesia em Língua portuguesa?

Acredito que esse apreço, essa busca pela nossa poesia, se dê por brasileiros que moram fora ou por pessoas que falam a nossa língua, mas não se restringe somente a isso, hoje não há idioma que não se possa traduzir, a palavra é universal, da mesma maneira que pesquiso poesias fora daqui, o contrário também é verdadeiro. E o Desafios Poéticos hoje possui o maior acervo em minutagem de poesia de estrutura fixa declamada, serve de base para quem busca estudar a poesia. Hoje existem tradutores simultâneos nas principais plataformas de áudio e vídeo.

Para que os nossos leitores possam compreender melhor, como funciona a dinâmica do grupo hoje? Qualquer pessoa pode participar dos desafios ou interagir com vocês? Existe algum tipo de critério para selecionar quem participa do grupo?

A dinâmica do Desafios Poéticos funciona da seguinte maneira: diariamente alguém se disponibiliza de maneira voluntária a colocar um mote a ser glosado, normalmente é postado às 15h e todos os demais poetas tem 24 horas para enviar os seus trabalhos escritos e declamados para o autor do mote, para serem analisados por ele, que por volta das 16h do dia seguinte traz o resultado, contendo 50% dos classificados e 50% dos desclassificados que chamamos de “Menção Honrosa”. Temos duas modalidades de julgamento: a modalidade às claras e a modalidade às cegas. A diferença é simples, na primeira o autor no mote recebe diretamente do concorrente o seu trabalho, consequentemente julga sabendo de quem é a estrofe. Já na análise às cegas, o julgador recebe as estrofes sem o nome do participante, filtrado e organizado antes por um colaborador escolhido por ele. Além desse trabalho de análise e a concorrência diária, usamos as estrofes declamadas para criar diariamente um episódio no Spotify, Youtube e demais outros canais de streaming. Portanto, toda a atividade acompanha um episódio que fica salvo para a posteridade, todos os participantes da atividade entram no episódio, independente de classificação. Quanto à participação, qualquer poeta pode participar, mas temos alguns critérios, como por exemplo, o limite de participantes, hoje o grupo comporta apenas 70 componentes, mas temos lista de espera e uma vez que o poeta convidado esteja participando das atividades mesmo fora do grupo, o que chamamos de convidado, logo que surgir uma vaga, ele tem a oportunidade de entrar. Se alguém que está lendo, tiver o interesse, deixe uma mensagem em nossas redes sociais e retornamos.  

O carro chefe do seu grupo é a poesia popular, inclusive partiu dela a origem do grupo. Como vocês conseguem manter a essência dessa modalidade de poesia (cordel e repente) viva em um ambiente totalmente digital? Parece ser um grande desafio.

De fato, a essência hoje do nosso coletivo é a poesia popular, acredito que 98% dos nossos escritos até aqui, passeiam por ela. Mas como o próprio nome do grupo diz, não fugimos dos desafios e vez por outra escrevemos modalidades mais eruditas. Esse importante coletivo poético, que começou escrevendo décimas em 7 ou 10 sílabas, hoje passeia pelos diversos gêneros da poesia de estrutura fixa, da sextilha ao galope, da trova ao soneto.   Usamos a rede mundial para espalhar esses versos pelo mundo, é bem verdade que a audiência ainda é baixa, mas não buscamos números vazios, apenas para compor estatísticas, esperamos que aquele que tiver acesso aos nossos trabalhos, possam apreciar da melhor maneira possível.

Sabendo que no grupo existem participantes de todas as regiões do Brasil, de quase todos os estados, gostaria de saber se, além dessa dinâmica virtual, de interação nas redes sociais, o grupo também participa de algum tipo de atividade ou encontro presencial. De que forma isso acontece?

Estamos espalhados pelo país inteiro e por fora, como por exemplo na França e em Portugal; temos participantes nos 9 estados do Nordeste, Santa Catarina, Roraima, São Paulo, Amazonas, Brasília, Goiás... Sobre a nossa interação além do virtual, vez por outra nos encontramos, seja num Festival de Poesia de Bancada, seja nos demais encontros de poesia que acontecem pelo país afora. Outra oportunidade é quando estamos viajando de férias pela região que há alguém do grupo e fazemos assim um encontro com aqueles que moram mais próximos, expediente esse que ocorre muito no Nordeste. Os seus membros, diante da prática frequente e o aprimoramento da escrita poética, sempre são premiados em concursos diversos, espalhados pelo país à fora, além de participarem de alguns certames como jurados, em decorrência da expertise que a dinâmica oferece a cada um que lá esteja e se dedica. Além de diversas obras, que estão sendo publicadas pelos nossas poetas, eles têm sido convidados a participarem das principais academias de letras do território nacional.

Cleber, sabendo que muito já foi feito, mas, olhando para frente, quais são os próximos passos e projetos planejados para o Grupo Desafios Poéticos? O que a comunidade pode esperar?

Prestes a completar 6 anos de vida, ainda uma criança, pedimos ao Poeta Maior, que nos conceda, vigor poético e inspiração, para que possamos continuar criando e espalhando poesia aos quatro cantos do mundo, para que fique de legado as próximas gerações! O Desafios Poéticos não quer parar com as suas publicações diárias no Spotify e Youtube, bem como ampliará a sua maneira de se comunicar com os ouvintes, leitores, apreciadores dessa nobre arte, seja através de lives nas redes sociais, seja em publicações impressas, dentre outros. Inclusive, em primeira mão, quero dizer que estamos tentando desenvolver uma Rádio Web, para que toque a nossa poesia 24 horas por dia e os 7 dias por semana. Aguardem!

Cléber, saiba que foi um grande prazer ter você aqui conosco partilhando sua grande experiência como poeta e como um difusor da poesia. Desejamos a você muito sucesso em seus novos projetos. Muito obrigado!

Poeta Márcio Fabiano, muito obrigado pela oportunidade, conte comigo sempre que precisar, estarei sempre à disposição para contribuir de alguma forma com a difusão e divulgação da nossa poesia, parabéns por esse cuidado com a cultura. Quem quiser me encontrar, deixe uma mensagem em quaisquer um dos canais do Desafios Poéticos, seja no Spotify, Youtube, Instagram... O meu perfil pessoal é: poetachicofurtado e o meu WhatsApp: (61) 98214-5692. Obrigado pela atenção de todos. Um forte e cordial abraço de Cleber Duarte.

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