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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

1984 - GEORGE ORWELL


Igor Caldeira, 35 - advogado


1984 é um livro incontornável

1984 é um livro incontornável. Aprendi essa palavra agora, estudando em um grupo de estudos de Hegel, no Youtube, coordenado pelo professor Marcos Fábio Alexandre Nicolau. "Alguns filósofos são incontornáveis na história da Filosofia". Pois bem. É justamente a situação de 1984.

1984 trata não apenas de uma distopia antiga, como se fosse um livro datado, e numa época que supostamente já não existe mais. Tudo desvanece, mas algo se mantém. Já diria o filósofo de Iena. De fato, 1984 tem a profundidade de um clássico que toca profundamente na raiz de diversas discussões atuais, até mesmo no direito, mas não somente. É incrível perceber a força do livro quando aprendemos, nas aulas de processo penal, de que uma prova ilícita, se não respeitados os limites legais, não poderá ser utilizada no processo e deverá ser desentranhada (Art. 5°, Inc. LVI, Constituição Federal).

Às vezes pensamos que tudo pode para prender o "bandido". Mas não é bem assim. Valores importantes devem ser preservados, como a exemplo da intimidade e a privacidade. Não podemos simplesmente realizar uma interceptação telefônica sem autorização judicial e desde que seja realizada em uma investigação penal, apenas (Art. 5°, Inc. XII, da Constituição Federal). Imaginemos se os agentes do Estado pudessem simplesmente realizar toda espécie de interceptação sob qualquer situação, sem os limites legais? É o que acontece em 1984. As teletelas estão sempre em todos os locais, inclusive em nossos banheiros e em nossos quartos. Elas não apenas transmitem ideias do partido, mas também escutam tudo o que você fala, a ponto de não existir momento livre para ninguém externar nenhum pensamento.

Na história toda crítica contra o partido é considerado um crime inafiançável. E diante das telas sempre vigilantes, os personagens do livro de George Orwell não podem sequer possuir o resguardo de sua intimidade e privacidade. Pior ainda: e a liberdade de expressão, valor tão importante numa democracia? No livro, a situação chega num limite tão crítico que sequer escrever um diário é autorizado. Qualquer pensamento externado vai ser veementemente repreendido, até mesmo com a vaporização da pessoa, não apenas fisicamente, mas até nos anais da história.

Aqui existe uma situação curiosa. Por não existirem leis (positivadas) não existem limites legais e toda pena poderá ser implementada, em toda desproporcionalidade possível. Externar um pensamento se torna pena de morte ou de trabalhos forçados. E simplesmente ninguém pode trazer nenhum pensamento genuíno ou inteligente. Tudo será utilizado contra você. É um terror inimaginável: as pulsões são inibidas, os desabafos se tornam recalcados. E a vida se torna um inferno. A opressão de pensamento e de privacidade é tamanha que o nosso protagonista Winston precisa, até mesmo, alugar um quartinho, de um suposto vendedor de quinquilharias, para poder amar sem existir qualquer espécie de constrangimento.

Para tornar as pessoas avessas à revolução e fazê-las ir contra os interesses do Partido, a cúpula traz um expediente genial. Simplesmente realiza a simplificação da linguagem através da instituição de um novo idioma, denominado novilíngua. Um dicionário é incumbido de realizar a tarefa de registrar essa simplificação. Essa simplificação é basicamente através da restrição conceitual das palavras, de seus significados e até mesmo de suas ambiguidades.

 Não é possível não pensar em Wittgenstein quando ele diz que o mundo de uma pessoa é do tamanho do mundo de sua linguagem. Restringir a linguagem é restringir a atitude crítica, a criatividade e o pensamento livre.

Sem palavras para podermos expressar não poderemos conceituar o mundo, não seremos capazes de exprimir até mesmo o real. A restrição de palavras e de seus conceitos é a restrição da interpretação e de uma compreensão mais elaborada do mundo e da vida.

E quantas e quantas vezes não aparecem leis, inconstitucionais, diga-se de passagem, como a Escola sem Partido, que nada mais busca, senão, restringir do vocabulário dos professores o que se reputa como ideia de esquerda, inibindo uma atitude crítica dos seus alunos diante do mundo que lhes aparece?

A relação entre o livro e a conduta reacionária da direita é inevitável. Obviamente que o livro está nitidamente criticando o sistema soviético. Não é desconhecida a história da perseguição do governo soviético em face de Pachukanis, apenas porque sua teoria do direito não atendia aos interesses do regime de Stálin.             

Mas estou focando, aqui, em como o livro é atual e como dialoga com a contemporaneidade, e não se trata de uma discussão velha, apenas porque o muro de Berlim foi derrubado. O livro realmente é reflexivo de início ao fim.

Como não trazer à luz as torturas no quarto 101, que chegava ao extremo de confrontar as pessoas com seus piores medos, para que elas pudessem confessar crimes que até mesmo não cometeram. A tortura para dizer que 2+2 seria igual a 5, mesmo quando as leis da matemática asseveram que na verdade 2+2 é igual a 4. A inibição, portanto, do pensamento do verdadeiro, ainda que na base da tortura física e mental. Quantas vezes não somos inibidos, diante do poder do Estado, de trazer o real, de uma forma menos torturosa? 1984 não é um livro qualquer. É um livro que possui relevância, para além da época da guerra fria. É um livro atual, que dialoga com qualquer sistema político, mesmo nas democracias, que muitas vezes parecem esconder dentro de si o desejo irrefreável de solapar as leis e as nossas intimidades.

1984 é um livro incontornável. O que significa que nenhuma alma viva pode passar sua existência sem ter lido ao menos uma vez o livro. Está carimbado pela tradição como um clássico, atemporal, e passível sempre de ser lido e relido. As suas reflexões continuam atuais e possuem relevância mesmo nas democracias liberais.  Que a minha pequena resenha crítica possa servir de um estímulo à leitura e possibilite uma interpretação ainda mais aguçada do Livro.

PS. Também podemos pensar no livro não apenas em face do Poder do Estado, mas também no poder exercido pelas empresas privadas, que têm acesso aos nossos dados pessoais, a exemplo das plataformas de transporte por aplicativo, que sabem, por exemplo, cada canto que nós nos deslocamos, uma vez que nosso trajeto fica nos seus servidores, sem que possamos ter um efetivo controle. Obviamente, contamos, atualmente, com a Lei Geral de Proteção de Dados, prevendo multas e restrição ao compartilhamento indevido de dados. Mas a nossa privacidade encontra-se sempre no delicado fio da espada de Dâmocles, podendo ser rompida através de um leve sopro dos Poderes Privados.

Trago agradecimento especial ao Grupo do Book Club do Encontro de Idiomas por me estimularem a realizar a leitura do livro em inglês, em sua versão simplificada, o que me motivou a realizar a leitura em português do livro integral. Em especial a Henrique Takeshima e Rafael Sousa, por sempre estarem presentes no grupo de leitura, me ouvindo e suscitando o debate.

Menção especial a Carlos de Alcântara, fundador do Encontro de Idiomas, por permitir sempre trabalhar como Host do Grupo do Book Club com liberdade e sempre dando suporte às novas ideias.

Agradecimento ao Clube do livro de Russo hosteado pela Brenda Anjos e ao professor Márcio Fabiano, por me motivarem a realizar a presente resenha














 


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

NÃO SOU DESTE MUNDO

Crédito: Ainaz Musavi (PEXELS)

Não, eu não sou deste mundo.

Não, não pode ser possível.

Eu, que quando era pequeno,

Via a vida tão incrível,

Hoje me debulho em lágrimas

Neste mundo desprezível.


Naqueles tempos dourados,

Alma pura de criança,

Eu corria pelos campos,

Olhos verdes de esperança,

Mesmo sob a tempestade

Esperava por bonança.


Hoje vejo um outro mundo

Cada vez bem mais distante

Dos meus sonhos de menino,

Um lugar angustiante

Onde dinheiro e poder

É muito mais importante.


Basta olhar pra cada adulto

Pra ver tanto preconceito:

Um pronto a julgar o outro,

Achando-se tão perfeito

E pra algo sair certo

Tem que ser só do seu jeito.


As pessoas se evitando

Por todo e qualquer motivo,

Pensando só em si mesmas

E jamais no coletivo,

Hoje é cada um por si,

Nada de cooperativo.


O mundo agora virou

Gigante competição:

O outro, um adversário,

Não há colaboração.

Em que se ganha ou se perde,

Não há terceira opção.


Pessoas gastam o tempo

Com tanta futilidade

Perseguindo as ilusões,

Se afastando da verdade,

Para depois se queixar

Que falta oportunidade.


Mas os sonhos verdadeiros

Não encontram mais lugar.

Todos estão ocupados

Sem um tempo pra sonhar.

“Isto é coisa de criança”

Costumam justificar.


Crianças virando adultos

Muito bem antes da hora,

Perdendo tantos valores

Que pra sempre vão embora

E que um dia farão falta,

Mas ninguém vê isso agora.


Não sou mesmo deste mundo

E disso tenho certeza.

Jamais pensei encontrar

Males dessa natureza.

Surtos de perversidade

Roubaram minha pureza.


O mundo que conheci

Foi retirado de mim.

E deram um outro em troca,

Mas não gosto dele assim

E sei que não há mais volta,

Será este até o fim.


Por isto quero ir embora

Da cruel realidade.

O tempo de minha infância

Deixará muita saudade.

Nessa época dourada

Eu fui feliz de verdade. 


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

SAUDADE

Crédito: Eddie Stofe (PEXELS)

Nenhuma alegria afasta

A saudade deixada

Por tua partida


Dias de sol me deixaram

A casa escura e vazia

O tom cinza de despedida

Toca meu coração como hino

E provo cada lágrima caída


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ARQUIVO MORTO

Crédito: Element5 Digital (PEXELS)


Tranquei meus sonhos de criança 

No escuro do quarto de despejos

Ainda ali se encontram amontoados

Na disputa pelo espaço com os brinquedos.


Quando adolescente escondi a chave 

Afastando minha pureza dos olhos curiosos

Procurei esquecê-los por completo

Mesmo depois de adulto nunca abri o cômodo 

Inclusive perdi a chave, propositalmente.


Com os anos evitei aproximar-me da porta

Por medo de que as fantasias encarceradas

Iniciassem uma verdadeira rebelião, fugissem,

Ganhando mais força ao cruzar o batente

E me revelassem de forma nítida

O adulto que nunca tive coragem de ser.


domingo, 30 de agosto de 2026

O INCANSÁVEL SEMEADOR DE POESIA

Foto fornecida pelo autor

Hoje o blog Cosmo Literário tem o orgulho e grande satisfação de entrevistar o grande divulgador da poesia popular brasileira, coordenador do grupo Desafios Poéticos, Cléber Duarte. Mas antes, de começarmos nossa conversa, vamos saber um pouco de sua história:

CLEBER DUARTE é um poeta potiguar nascido em Umarizal-RN, usa o pseudônimo de "Chico Furtado" nas redes sociais. Mora no Centro-Oeste brasileiro há quase 30 anos. Administrador de empresas por formação. Começou a fazer versos já no alto dos seus 37 anos, exatamente em 2018, mesmo ano do nascimento do seu primogênito: Vinícius.  Oito anos depois, em abril de 2026, nasceram os gêmeos Victor e Levi, diz ele, com todas as palavras, que renasceu poeta após o nascimento do seu primeiro filho. Casado desde 2012 com Rosy, filho de Ivete Duarte e João Furtado Sobrinho, irmão de Cleuma e Kleiton.

Escreve diversas modalidades de poesias, define-se como um ser muito curioso e, por essa razão, busca aprender tudo o que for possível sobre o fazer poético. É, atualmente, coordenador do importante Projeto Cultural: Desafios Poéticos.

Seja bem-vindo, poeta Cléber Duarte, ao nosso espaço de entrevistas do blog Cosmo Literário.

Olá, meu Poeta Márcio Fabiano, muito obrigado pelo convite. É uma honra bater esse bate-papo poético contigo, aproveito para saudar a todos que estão tendo acesso a essa conversa. Esperamos que seja produtiva e instrutiva.

Cleber, para começarmos essa nossa conversa, como foi que a poesia entrou na sua vida? Foi um estalo na infância ou algo que desabrochou mais tarde? Conte-nos como se deu esse contato entre vocês.

Então, poeta. Acredito que a poesia já nasceu comigo, mas estava adormecida, e ela despertou com o nascimento do meu primeiro filho, Vinícius, há 8 anos e alguns meses. A emoção de ser pai foi tão grande, que busquei uma forma de me expressar e a poesia se apresentou como esse instrumento e desde então, escrevo... E nesse ano, Deus nos presenteou com mais duas inspirações: Victor e Levi, portanto, motivos para escrever não faltam!

Sabemos que todo escritor começou como leitor. No seu caso, quais são as suas maiores referências literárias? Quem são os escritores que moldaram o seu estilo de escrita?

Sempre gostei muito de ler, mas não tinha o hábito de ler poesia, era mais contos, prosas, romances... Mas desde que me descobri poeta, sou um leitor assíduo de poesia, especialmente os gêneros de estrutura fixa, ou seja, rimada e metrificada, sou visitante assíduo de sebos, um caçador de raridades. Gosto muito dos poetas antigos, mas bebo muito na fonte dos contemporâneos também, dentre os mais antigos, aprecio: Patativa do Assaré, Fernando Pessoa, Ronaldo Cunha Lima, Cancão, Rogaciano Leite, Cecília Meirelles... Já dentre os contemporâneos, Dedé Monteiro, Antonio Francisco, Luiz Gonzaga Maia e todos os poetas do Desafios Poéticos... Aprecio e aprendo, diariamente.

Ao visitar suas redes sociais, acabei descobrindo, no Instagram, que você adota o pseudônimo de Chico Furtado. De onde veio essa ideia e qual a razão de adotar um pseudônimo? Por que a escolha por esse nome?

Chico Furtado é meu nome também, me chamo: Francisco Cleber Duarte Furtado. Há quem ainda não saiba que se tratam da mesma pessoa, quando decidi criar um perfil no Instagram, pensei que não o faria com o meu nome mais conhecido, pois queria dedicá-lo somente a poesia e ele é assim até hoje, então tive a ideia de criar com o Chico Furtado.

Cleber, hoje você está à frente de um grupo denominado Desafios Poéticos. Poderia nos contar um pouco da história do grupo? Como foi que ele nasceu? Quando você começou a participar? Como que objetivos esse grupo foi criado?

O Desafios Poéticos, foi fundado e idealizado pelo poeta paraibano, Antônio Medeiros (Medeirão), juntamente com o seu primo, poeta José Medeiros e o poeta Bernardino Bezerra (os dois últimos in memoriam), teve o seu marco inicial, no dia 13 de dezembro de 2020, com o objetivo principal e o intuito de praticarem e aprimorarem o fazer poético, através de motes a serem glosados e estrofes analisadas e classificadas, com a dinâmica de um concurso poético diário. Inicialmente com pouco mais de uma dezena de membros, hoje temos 70 componentes. Esse nome: Desafios Poéticos, fora sugerido pelo poeta Bernardino Bezerra e aceito pelos demais pares, por se tratar exatamente de um desafio diário de poesia de bancada, onde a prática e a troca de experiências moldaram e até hoje contribuem para a evolução da escrita de todos os membros. Em 18 de maio de 2021, fui convidado pelo Poeta Luiz Gonzaga Maia e de pronto aceitei o convite quando ele me disse como era a dinâmica.

O projeto alcançou marcos incríveis de audiência e episódios distribuídos. Você poderia nos falar um pouco sobre o número de episódios já lançados, plataformas em que eles se encontram, além de números de países e ouvintes alcançados com esses episódios?

Ainda no mês de maio de 2021, começamos a publicar os trabalhos declamados nos canais de streamings, inicialmente pelo Spotify e hoje podem ser apreciados por diversas plataformas, dentre elas o Youtube, Amazon Music, Apple Podcast, Deezer dentre outros, por entender que tão belas poesias deveriam ganhar asas e atingir corações no mundo inteiro. Em decorrência, desse trabalho diário, de criação e divulgação dos episódios, estamos prestes a completar as 2100 edições. O nosso programa possui audiência em mais de 110 países, divididos em 5 continentes.

Tendo em vista esse alcance extraordinário por tantos países que, em sua maioria, não falam o nosso idioma, como você entende que outras nações e outras línguas apreciem a nossa poesia em Língua portuguesa?

Acredito que esse apreço, essa busca pela nossa poesia, se dê por brasileiros que moram fora ou por pessoas que falam a nossa língua, mas não se restringe somente a isso, hoje não há idioma que não se possa traduzir, a palavra é universal, da mesma maneira que pesquiso poesias fora daqui, o contrário também é verdadeiro. E o Desafios Poéticos hoje possui o maior acervo em minutagem de poesia de estrutura fixa declamada, serve de base para quem busca estudar a poesia. Hoje existem tradutores simultâneos nas principais plataformas de áudio e vídeo.

Para que os nossos leitores possam compreender melhor, como funciona a dinâmica do grupo hoje? Qualquer pessoa pode participar dos desafios ou interagir com vocês? Existe algum tipo de critério para selecionar quem participa do grupo?

A dinâmica do Desafios Poéticos funciona da seguinte maneira: diariamente alguém se disponibiliza de maneira voluntária a colocar um mote a ser glosado, normalmente é postado às 15h e todos os demais poetas tem 24 horas para enviar os seus trabalhos escritos e declamados para o autor do mote, para serem analisados por ele, que por volta das 16h do dia seguinte traz o resultado, contendo 50% dos classificados e 50% dos desclassificados que chamamos de “Menção Honrosa”. Temos duas modalidades de julgamento: a modalidade às claras e a modalidade às cegas. A diferença é simples, na primeira o autor no mote recebe diretamente do concorrente o seu trabalho, consequentemente julga sabendo de quem é a estrofe. Já na análise às cegas, o julgador recebe as estrofes sem o nome do participante, filtrado e organizado antes por um colaborador escolhido por ele. Além desse trabalho de análise e a concorrência diária, usamos as estrofes declamadas para criar diariamente um episódio no Spotify, Youtube e demais outros canais de streaming. Portanto, toda a atividade acompanha um episódio que fica salvo para a posteridade, todos os participantes da atividade entram no episódio, independente de classificação. Quanto à participação, qualquer poeta pode participar, mas temos alguns critérios, como por exemplo, o limite de participantes, hoje o grupo comporta apenas 70 componentes, mas temos lista de espera e uma vez que o poeta convidado esteja participando das atividades mesmo fora do grupo, o que chamamos de convidado, logo que surgir uma vaga, ele tem a oportunidade de entrar. Se alguém que está lendo, tiver o interesse, deixe uma mensagem em nossas redes sociais e retornamos.  

O carro chefe do seu grupo é a poesia popular, inclusive partiu dela a origem do grupo. Como vocês conseguem manter a essência dessa modalidade de poesia (cordel e repente) viva em um ambiente totalmente digital? Parece ser um grande desafio.

De fato, a essência hoje do nosso coletivo é a poesia popular, acredito que 98% dos nossos escritos até aqui, passeiam por ela. Mas como o próprio nome do grupo diz, não fugimos dos desafios e vez por outra escrevemos modalidades mais eruditas. Esse importante coletivo poético, que começou escrevendo décimas em 7 ou 10 sílabas, hoje passeia pelos diversos gêneros da poesia de estrutura fixa, da sextilha ao galope, da trova ao soneto.   Usamos a rede mundial para espalhar esses versos pelo mundo, é bem verdade que a audiência ainda é baixa, mas não buscamos números vazios, apenas para compor estatísticas, esperamos que aquele que tiver acesso aos nossos trabalhos, possam apreciar da melhor maneira possível.

Sabendo que no grupo existem participantes de todas as regiões do Brasil, de quase todos os estados, gostaria de saber se, além dessa dinâmica virtual, de interação nas redes sociais, o grupo também participa de algum tipo de atividade ou encontro presencial. De que forma isso acontece?

Estamos espalhados pelo país inteiro e por fora, como por exemplo na França e em Portugal; temos participantes nos 9 estados do Nordeste, Santa Catarina, Roraima, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Brasília, Goiás... Sobre a nossa interação além do virtual, vez por outra nos encontramos, seja num Festival de Poesia de Bancada, seja nos demais encontros de poesia que acontecem pelo país afora. Outra oportunidade é quando estamos viajando de férias pela região que há alguém do grupo e fazemos assim um encontro com aqueles que moram mais próximos, expediente esse que ocorre muito no Nordeste. Os seus membros, diante da prática frequente e o aprimoramento da escrita poética, sempre são premiados em concursos diversos, espalhados pelo país à fora, além de participarem de alguns certames como jurados, em decorrência da expertise que a dinâmica oferece a cada um que lá esteja e se dedica. Além de diversas obras, que estão sendo publicadas pelos nossas poetas, eles têm sido convidados a participarem das principais academias de letras do território nacional.

Cleber, sabendo que muito já foi feito, mas, olhando para frente, quais são os próximos passos e projetos planejados para o Grupo Desafios Poéticos? O que a comunidade pode esperar?

Prestes a completar 6 anos de vida, ainda uma criança, pedimos ao Poeta Maior, que nos conceda, vigor poético e inspiração, para que possamos continuar criando e espalhando poesia aos quatro cantos do mundo, para que fique de legado as próximas gerações! O Desafios Poéticos não quer parar com as suas publicações diárias no Spotify e Youtube, bem como ampliará a sua maneira de se comunicar com os ouvintes, leitores, apreciadores dessa nobre arte, seja através de lives nas redes sociais, seja em publicações impressas, dentre outros. Inclusive, em primeira mão, quero dizer que estamos tentando desenvolver uma Rádio Web, para que toque a nossa poesia 24 horas por dia e os 7 dias por semana. Aguardem!

Cléber, saiba que foi um grande prazer ter você aqui conosco partilhando sua grande experiência como poeta e como um difusor da poesia. Desejamos a você muito sucesso em seus novos projetos. Muito obrigado!

Poeta Márcio Fabiano, muito obrigado pela oportunidade, conte comigo sempre que precisar, estarei sempre à disposição para contribuir de alguma forma com a difusão e divulgação da nossa poesia, parabéns por esse cuidado com a cultura. Quem quiser me encontrar, deixe uma mensagem em quaisquer um dos canais do Desafios Poéticos, seja no Spotify, Youtube, Instagram... O meu perfil pessoal é: poetachicofurtado e o meu WhatsApp: (61) 98214-5692. Obrigado pela atenção de todos. Um forte e cordial abraço de Cleber Duarte.

sábado, 29 de agosto de 2026

UM FILHO DOS CAMPOS, SOU RUDE VAQUEIRO

Crédito: Tuba Karabulut (PEXELS)


Eu monto no baio e cavalgo ligeiro

Cortando essa relva que forma a campina

A vista que alcança a paisagem divina 

Comove e emociona o veloz cavaleiro 

Um filho dos campos, sou rude vaqueiro 

No lombo dum potro sei bem me virar 

Eu domo, cavalgo, sou bom em laçar 

Entendo este ofício tal qual dom divino

Sou um defensor do viver campesino 

Nos dez de galope na beira do mar.


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

ESCOLA DA VIDA

Crédito: Alfred Dena (PEXELS)


Meu pai me disse uma vez:

- Presta atenção, filho meu,

Na grande escola da vida

Em que teu pai aprendeu. 

Muita gente se formou

Pelo tempo que viveu. 


Na vida nada é de graça: 

Para tudo existe um custo. 

O preço por que se paga

Nem sempre será o justo.

Por vezes pode ser fraco; 

Por outras, bem mais robusto. 


Escuta sempre os mais velhos,

Ouve a voz da experiência!

Não despreze seus conselhos,

Não faças tal negligência.

De todas as professoras

A maior é a vivência.


Toda longa caminhada 

Se começa num só passo,

Não sendo maior que a perna

Pra não cair no cansaço. 

Sempre mantenha a constância 

Para evitar o fracasso. 


O caminho bem mais curto

Não dá qualquer garantia

De que a trilha será fácil,

Que será só alegria...

Estrada que não tem pedra,

Caminhante desconfia.


Não sejas refém do ódio,

Prefere sempre a bonança.

Jamais confunda a justiça

Com desejo de vingança

Pra que a vil escuridão

Não roube tua esperança.


Haverá dias de chuva, 

Também dia ensolarado.

Em uns tudo dará certo,

Em outros dará errado.

O mundo vive em mudanças: 

Sempre esteja preparado! 


É bom contar com os outros,

Bem melhor contar contigo,

Pois tenha sempre amor próprio 

E ao menos um bom amigo 

Que partilhe as tuas glórias,

Te acompanhe no perigo. 


Respeite a qualquer pessoa 

Para merecer respeito.

Todos somos diferentes, 

Cada um com o seu jeito. 

Todos temos qualidades, 

Mas também algum defeito.


Sempre haverá uma pedra

Pra te fazer tropeçar. 

Cair faz parte da vida, 

Não deixa de levantar! 

Cada queda que sofrer,

Mais forte vai te deixar. 


Não importa a consequência, 

Defende sempre a verdade!

Nada pode valer mais 

Que a tua dignidade

Porque a honra não tem preço. 

É a tua identidade!


Nem tudo que há no mundo

Podes comprar com dinheiro.

Discerne o que é duradouro

Daquilo que é passageiro.

Não troca por ninharia

O teu bem mais verdadeiro.


Seja gentil com o mundo,

Pouco importa o resultado...

Gentileza é doação,

Não bilhete premiado.

Quando se pratica o bem,

Já estás recompensado.


Perante toda miséria,

Procura ser solidário.

Maior castigo do mundo:

Sentir-se tão solitário.

Faça do teu coração

O teu primeiro sacrário.


Mais fácil culpar o outro 

Que assumir tua fraqueza. 

Se não tiver humildade, 

Só mania de grandeza, 

Não irás evoluir

E disso eu tenho certeza.


Não temas pelo futuro!                                                                                       

Deves seguir sempre em frente.

Jamais olha para trás, 

Aproveita o teu presente! 

Se a gente cuida dos outros, 

A vida cuida da gente. 



1984 - GEORGE ORWELL

Igor Caldeira, 35 - advogado 1984 é um livro incontornável 1984 é um livro incontornável. Aprendi essa palavra agora, estudando em um grup...