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| Homenagem da artista Nice Forti |
Hoje o blog Cosmo Literário
tem a alegria e o enorme prazer de entrevistar um grande poeta contemporâneo de
nossa região: Alceu Bigato. Entretanto, antes de começarmos nossa conversa,
vamos saber um pouco de sua história:
Alceu Bigato, poeta sertanejo
nascido em 1939, na Fazenda da Glória, Jardinópolis, é casado, tem três filhos,
dois netos, uma neta e um bisneto. Gosta de escrever desde garoto, mas só
depois de adulto, já em Ribeirão Preto e incentivado por um amigo, começou a
divulgar seus textos em programas de rádio. Frequentou diversos programas, teve
44 músicas gravadas por várias duplas e trios sertanejos de Ribeirão Preto. Em
2009, lançou na Feira do Livro de Ribeirão Preto um CD declamando seus poemas.
Desde então, frequenta os saraus Ponto & Vírgula, assim como da CPERP (Casa
do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto) e UEI (União dos Escritores
Independentes). Publica seus textos nas antologias dessas entidades, na Revista
Ponto & Vírgula e no Jornal Enfim. Em 2018 lançou seu primeiro livro solo:
Lapidador da Natureza.
Seja bem-vindo, poeta Alceu
Bigato, ao nosso espaço de entrevistas do blog Cosmo Literário.
É
um grande prazer bater esse papo com os leitores de seu blog, Márcio.
Como
ponto de partida da nossa conversa, vi a sua revelação de que,
desde garoto, já demonstrava uma atração incomum pela escrita. Como foi que
isso aconteceu? Como foi esse primeiro contato já tão cedo em sua vida?
Nos
tempos de escola, sempre gostei das aulas de redação. Na época, geralmente, a
professora estimulava a escrita a partir de uma gravura. Minhas redações eram
elogiadas, mas eu não entendia bem o valor disso.
Levando em conta esse tempo todo vivido na
fazenda, duas delas na verdade, distante de tantas distrações e atrações que a
cidade oferece, imerso em um ambiente cada vez mais incomum em nossa região,
poderia nos dizer o quanto esse mundo influenciou na sua obra?
Muitos
temas que abordo falam da natureza e sua aparente simplicidade. As relações
entre as pessoas também eram diferentes, justamente pela falta das distrações
atuais que você citou. Havia até uma certa inocência e mais convivência.
Durante sua trajetória, há o
registro de inúmeras passagens por programas de rádio. Em um mundo, antes
dominado pela televisão, mas agora, invadido pelos podcasts e plataformas de
vídeo, poderia nos explicar a importância do rádio para a cultura brasileira e quais sensações diferentes de hoje esse
veículo provocava no artista?
Para
pessoas como nós, morando em fazendas e sem poder ir com frequência pra cidade,
o rádio era muito importante pra nos conectar com o mundo. Através dele tínhamos
acesso às notícias e muita diversão também. Ouvíamos música (poesia cantada),
futebol e radionovelas (paixões nacionais). Acho que o fato de apenas ouvir as
pessoas estimulava a imaginação. De repente, me vi frequentando emissoras de
rádio e declamando meus textos. Foi emocionante e, ao mesmo tempo, natural.
O seu surgimento como artista
(escritor) começou, bem lá atrás, com a composição de letras para canções
sertanejas gravadas por duplas e trios da região. Como foi que começou sua
relação com a música sertaneja para chegar a esse ponto?
Fiz
amizade com uma pessoa que morava perto de casa. Ele tinha uma dupla sertaneja.
Um dia, mostrei um texto meu para ele. Ele gostou muito e me encorajou a
frequentar programas de rádio. Nesses programas fiz muito amigos do meio sertanejo
e assim comecei minha trajetória. Fui muito bem acolhido por muitos radialistas
dessa cidade, aumentando minha admiração por essa profissão.
Sempre faço questão de
ressaltar, em cada entrevista, que todo escritor começa por um bom leitor e que
o prazer de ler acaba puxando o prazer de escrever. No seu caso foi da mesma
forma? Há algum escritor que se tornou referência para o seu estilo?
Infelizmente
minha geração não tinha acesso fácil à escola. Estudei por apenas quatro anos e
não tive acesso a livros naquela época. Mas lembro que os cadernos tinham
poesias e um dos primeiros poetas que me encantou foi Olavo Bilac. E, mais uma
vez, destaco a importância do rádio porque, por muito tempo, tive contato
apenas com a “poesia cantada” de compositores como José Fortuna, Teddy Vieira,
Goiá e muitos outros. Talvez essas referências expliquem meu estilo.
Em sua biografia, o senhor se
denomina um “poeta sertanejo”. Acredito que a maior parte dos leitores e
leitoras deste blog ouve esse termo pela primeira vez. Poderia explicar esse
título e dizer as características e particularidades que o justificam?
Um
poeta sertanejo é aquele que, em princípio, escreve sobre a vida no campo, a
natureza, desilusões amorosas. Com o passar do tempo e a urbanização, os poetas
sertanejos diversificaram seus temas, mas sempre mantendo a simplicidade
característica dessa poesia.
Após tantas participações em
programas de rádio, saraus, publicações, coletâneas e antologias, o senhor
publicou, em 2018, seu primeiro livro solo de poesia “Lapidador da natureza”. O
que isso representou para o poeta Alceu Bigato? E qual o significado pessoal
dessa conquista?
Antes
de começar a frequentar os saraus literários, eu me definia como compositor
sertanejo. Nesses encontros comecei a ser chamado de poeta. Inicialmente,
estranhei porque, para uma pessoa simples, poeta é alguém inalcançável. Aos poucos
me acostumei, mas a emoção de lançar um livro solo é incrível. Foi um dia
inesquecível.
Além de poeta e compositor,
pode-se observar, pelos saraus nos quais participou, que o senhor também é um
grande declamador, talento que não é comum aos poetas, e que suas declamações
soam muito espontâneas e naturais. A que atribui essa capacidade? É um dom ou
uma técnica?
É
algo que não sei explicar. Para mim, declamar, é dar vida ao texto. Gosto de
ter as mãos livres ao declamar porque gesticular me ajuda a dar a entonação que
o texto pede.
Após tantos anos nesta
estrada, com toda a sua experiência como escritor, o senhor que descobriu esse
talento tão cedo, ainda criança, o que aconselharia aos jovens leitores deste
blog que pensam em ser escritores, mas ainda possuem muito receio e dúvidas
quanto ao começo?
Todo
começo é difícil, mas não escondam seus textos. Frequentem grupos de literatura
e acreditem que há sempre um leitor à espera do que você tem a dizer.
Depois de tantos feitos e
realizações literárias, participações em rádio, lançamento de músicas, de CD e
de livro, falta ainda algum projeto a ser realizado ou concretizado como poeta
sertanejo?
Eu
tenho um projeto em andamento: meu segundo livro solo. Ainda não sei dizer quando
será lançado, mas espero que em breve.
Alceu, foi uma enorme
satisfação e alegria tê-lo aqui conosco, neste papo tão agradável, podendo nos
mostrar um pouco do seu talento. Desejamos que continue esse seu lindo
trabalho. Muito obrigado!
Eu
que agradeço o convite. Ser lembrado por um escritor como você para fazer parte
de seu blog me orgulha e me dá a certeza de que tem valido a pena. Como não uso
redes sociais, podem me encontrar através de minha filha Marli da Penha Bigato.