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| Crédito: Mendi Khoshnejad |
Valerá qualquer coisa?
Toda ação justifica
Uma grande vitória?
Os fins justificam seus meios?
Não haverá limites no jogo?
Tudo se permite pela glória?
Ninguém fugirá de seus atos
Marcados para sempre na história.
"Um espaço para se perder e se encontrar no universo em expansão da literatura."
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| Crédito: Fernando Capetillo (PEXELS) |
Um pecado ou uma maldição
Seguir os caprichos do coração
Correr atrás de uma esperança
Que não se alcança
Um prêmio em eterna espera
Tons dourados de uma quimera
E de tanto acreditar
A utopia adquire nuances de verdade
Pregando a doce possibilidade
De um abstrato palpável
Quisera nunca mais nutrir em meu peito
Esse sonho de mundo perfeito
Que me lança em quedas vertiginosas
E me vende as alegrias mais dolorosas
Sequer uma promessa de garantia
Vivo a doses de melancolia
Marchando sob passos de sonambulismo
Em direção ao mais charmoso abismo
De forma tão voluntária
Tranco-me na solitária
Pois sou seu maior refém
Viver assim sei que não convém
Entretanto nada posso fazer
Meu destino é padecer
Por entre sorrisos e flores
O peito repleto de dores
Deixando profundas cicatrizes
Na ilusão de dias mais felizes
Recolho os pedaços de meu coração
Sou escravo da paixão
A negar a própria liberdade.
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| Crédito: Rudoslaw Krupa (PEXELS) |
Pois teria ao meu lado toda a luz
Não achava pesada a minha cruz
Considerando curta a caminhada.
Considerava-me apto a tal jornada
Indiferente ao mundo que seduz
Imune a qualquer ouro que reluz
Senhor da vida reta e equilibrada.
Sequer transponho as pedras do trajeto
O astro rei desviou de meu caminho
Já não sou mais capaz de andar ereto
Sinto os meus pés cravados por espinho
Cega-me o brilho deste mundo incerto
E paro pela trilha, estou sozinho.
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| Crédito: Wikimedia Commons |
“As feridas morais têm a particularidade de que se escondem, mas não se
fecham; sempre dolorosas, sempre prontas a sangrar quando são tocadas, ficam
vivas e abertas no coração. ”
Sejam bem-vindos
e bem-vindas, caros leitores e caras leitoras, a mais uma viagem ao mundo da
literatura, esse universo repleto de magias e encantos prontos a serem
descobertos. Eis, aqui, o nosso propósito inicial. Portanto, apertem os cintos
porque vamos deixar, agora, a Itália medieval, nosso último paradeiro, no qual
presenciamos uma trama tenebrosa e obscura, e façamos uma viagem curta até a
França. Para tal, vamos acessar nossa tradicional “playlist” com a trilha
sonora de “O conde de Monte Cristo” feita por Volker Bertelmann para a mais
recente adaptação para as telas (2024), constando uma outra de 2002, sem contar
tantas outras feitas durante o século XX. Nossa narrativa inicia-se no ano de
1815, em um período conhecido como o governo dos cem dias, quando Napoleão
Bonaparte retorna ao poder após sua fuga do exílio na ilha de Elba.
Mas
é chegado o momento de vos apresentar o nosso protagonista Edmond Dantès, um
jovem marinheiro que é imediato do navio Faraó e está noivo da bela Mercédès. Tudo
está indo de vento em popa na sua vida, mas, como todos já sabem, algo de ruim
terá de acontecer com nosso pobre Edmond para que seja criado o conflito de
nossa trama. E isso não demora a ocorrer: às vésperas de seu casamento, ele é
preso na Costa da Marselha, acusado injustamente de ser um espião bonapartista.
E o curioso leitor pode acaso perguntar: “Como isso aconteceu? ” Ah, meu caro. Edmond
foi vítima de um plano ardiloso arquitetado por três homens (Mondego, Danglars
e Villefort) cada um deles tendo encontrado uma forma de tirar proveito dessa
falsa acusação. O rapaz é enviado para a tenebrosa prisão do Castelo de If onde
vai amargar por longos 14 anos. Isso mesmo que você ouviu: um longo período da
sua vida por algo que ele não fez. Durante todo esse tempo, você deve estar
pensando o que se passou com sua noiva. Um
dos traidores, Mondego, convence-a da morte de Edmond e acaba insistindo até
que ela acaba tornando-se sua esposa. Não poderia ser pior, não é?
Porém, nem
tudo são espinhos no calvário enfrentado pelo jovem marinheiro. Pois, como se
fosse uma providência divina, lá ele conhece um outro preso: o Abade Faria, um
homem de grande sabedoria e de muitos conhecimentos que (aí vem uma parte
interessante) ele procura passar ao jovem como uma forma de alcançar a
liberdade. O caro leitor deve recordar que, em nossa última viagem, vimos a
relação entre conhecimento e poder. A partir de então tem começo uma relação de
mestre e aprendiz, mas também uma grande amizade, algo que fazia muita falta a
ambos. Antes de morrer, o velho revela a Edmond a localização de um grande
tesouro que pode torná-lo um homem muito rico, desde que ele prometa que irá
usar boa parte dele para fazer caridade. Após uma fuga espetacular da prisão,
ele tem acesso ao referido tesouro e se torna um homem extremamente rico. Agora
começa a nossa discussão sobre o tema deste nosso espaço. Você agora pode
pensar: “Até que enfim, a justiça foi feita e agora o já não mais pobre jovem
pode recuperar tudo que perdeu em vida e provar da felicidade. ” Ledo engano! Sabe
o que fez com que Edmond sobrevivesse e resistisse a todos esses quatorze anos
de sofrimentos e privações? Não foi a esperança ou a fé, mas um sentimento de
poder avassalador e destrutivo: o desejo de vingança. Alguns leitores afirmarão
que já imaginam como isso vai acabar. Estão corretos! Aos que acompanharam
conosco os destinos de capitão Ahab (Moby Dick) e de Heathcliff (O morro dos
ventos uivantes), sabemos muito bem do poder corrosivo da vingança, que suga
tudo ao redor como um buraco negro, quase sempre disfarçada de senso de
justiça.
Nosso protagonista passa por uma drástica
transformação: de uma vítima inocente de uma vil traição a um severo juiz que
vai julgar, condenar e executar a sentença, tudo isso em nome da velha e boa
justiça. Quantos de nosso mundo não se perderam nessa dicotomia
justiça/vingança e acabaram destruindo suas almas para sempre, consumidos pela
mágoa, pela revolta e pelo ódio. Não é à toa que existe um ditado de autoria
desconhecida que diz: “Antes de sair em busca de vingança, cave duas covas. “ Inclusive,
reza a lenda de que o escritor, Alexandre Dumas, encontrou inspiração para esse
romance ao encontrar uma história parecida nos arquivos da polícia de sua
época. Agora, tendo o tempo e o anonimato como seus dois grandes aliados, não podemos
também nos esquecer da fortuna que vai lhe abrir muitas portas, Edmond, esquecido
e dado como morto, retorna a sua terra como o Conde de Monte Cristo para
executar seu meticuloso plano de vingança a fim de retribuir a ardilosa traição sofrida por ele há quatorze
anos. Munido do ditado “A vingança é um prato que se come frio”, ele pensa em
cada detalhe para que possa assistir de camarote à derrocada de seus algozes,
os quais encontra gozando de todos os benefícios possíveis. Não bastasse isso,
ele ainda é obrigado a ver o seu grande amor casado com um de seus malfeitores.
Durante o
enredo, o conde tem a possibilidade de tomar outro caminho, mas a sua “sede de
justiça” fala mais alto, fazendo ele abrir mão de sua felicidade pessoal. Ele possui
todas as condições para um novo começo (tantas vezes vislumbrado na personagem Haydée,
uma escrava salva por ele, a qual sempre apresenta o lado mais humano que
poderia fazer o protagonista esquecer seu desejo nocivo, oferecendo a ele uma
lealdade e uma ternura há muito não vistos por ele), entretanto, seu desejo de
retribuição do mal que lhe fizeram sempre o domina (o ódio não aceita ser dominado,
ele sempre domina) e ele segue cego em seu plano de vingança. Aos poucos, o
conde sente o preço a pagar: o isolamento. Com o passar do tempo, ele próprio
percebe que está trilhando um caminho sem volta e que a felicidade e a vingança
não dividem a mesma estrada. Além disso, quanto mais ele avança, mais vai
sentindo o vazio que se ocupa de sua existência. Nosso protagonista luta por
uma causa que não lhe trará benefício algum, ou melhor, não trará nada de bom a
ninguém. Pode-se dizer que ele escolheu por continuar no passado, não vivendo o
presente nem cogitando o futuro. Quando seu plano estiver consumado, o que lhe
restará? O que sobrará do jovem Edmond, cheio de sonhos e aspirações? Infelizmente
esse jovem não mais existe, perdeu-se para sempre no caminho da vingança.
Independentemente
do desfecho dessa trama (leia o livro), seu enredo nos fala sobre as escolhas
que todo homem tem diante de si, falando também que, quem fica preso ao passado,
deixa de viver o presente e pode ser considerado uma pessoa sem futuro. Ainda mais
se esse passado é portador exclusivo de ódio e dor. Edmond poderia ter um
caminho muito diferente, mas escolheu o do ressentimento. Quero terminar essa
viagem de hoje pedindo licença para uma citação bem incomum, mas oportuna, uma
frase tida como bastante hilária de um dos episódios do impagável seriado do
Chaves: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena. “ Creio que seja
uma definição muito pertinente e que traz consigo uma seriedade absurda. Que não
nos percamos nos labirintos do ódio. Até a próxima!
DUMAS, Alexandre. O conde de Monte Cristo. São Paulo: Clube de Autores, 2022.
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| Crédito: Ron Lach (PEXELS) |
Qualquer um precisa ser bem educado,
Usar com os outros da tal gentileza
E sempre falar com extrema fineza,
Poder responder com frequente bom grado.
Jamais ser grosseiro também desbocado,
Saber como todos se deve tratar.
O seu tom de voz não dever levantar,
Não ser violento com sua expressão.
Tornar bom exemplo essa tal mansidão
Nos dez de galope na beira do mar.
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| Crédito: Mahboba Rezayi (PEXELS) |
É difícil de dizer
O quanto que ela penetra
E o coração faz sofrer
É uma dor sem medidas
Ninguém sabe responder.
Alguns momentos felizes
Inda vivos na lembrança
Sinais de tempos melhores
Em que se tinha esperança
Hoje são só cicatrizes
E eu choro como criança.
Choro pela tua falta
Pois não estás mais comigo
Coração tão solitário
Procurando por abrigo
Antes era teu amante
Hoje não sou nem amigo.
Teus olhos encantadores
Um retrato tão distante
As lágrimas que desabam
De uma maneira incessante
Como vou seguir sozinho
Levar a vida adiante?
Pois tu eras o meu céu
Também eras o meu teto
Provei a seiva da vida
Ao me dares teu afeto
Em meio à realidade,
O meu sonho predileto.
Relembro de gota em gota
Tempos de felicidade
Jornadas de mãos unidas
Gestos de cumplicidade
A alegria de encontrar
A minha cara metade.
A vida tem dessas coisas
Não se consegue explicar
Quem hoje passa a sorrir
Amanhã fica a chorar
Sabemos como começa
Não como vai acabar.
A noção de que é eterno
Não passa de uma ilusão
Aquela louca euforia
Pode virar frustração
Criar expectativa
Pra colher decepção.
Como num passe de mágica
Todo aquele grande amor
Pleno de belos sorrisos
Torna-se choros de dor
E aquela doce esperança
Agora é puro amargor.
Por isso aproveite o dia
Valorize de verdade
As flores que agora colhe
Em tons de felicidade
Amanhã podem ser cinzas
Na fogueira da saudade.
Crédito: Mendi Khoshnejad Valerá qualquer coisa? Toda ação justifica Uma grande vitória? Os fins justificam seus meios? Não haverá limites n...