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quarta-feira, 10 de junho de 2026

TEU ORGULHO

Crédito: Tomris (PEXELS)

 

Se os teus olhos não se fechassem,

veriam o quanto sofro por ti.

Se a tua mente não negasse a verdade,

saberia que sempre serei teu.

Se os teus ouvidos não me ignorassem,

escutariam as mais sinceras juras de amor.

Se as tuas mãos não fossem tão frias,

absorveriam o calor que emana das minhas.

Se o teu coração não fosse tão duro,

abriria a porta diante das minhas declarações.

Se a tua alma não fosse assim tão orgulhosa,

faria de ti a mulher mais feliz deste mundo.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

LEMBRANÇAS

Crédito: Arthur Brognoli (PEXELS)

 

O sol que me desperta todas as manhãs

Não reflete o brilho dos teus olhos...

 

A brisa que sopra ao toque da alvorada

Não carrega o tom suave da tua voz...

 

As mais nobres flores colhidas nos campos

Não exalam o perfume do teu corpo...

 

A plácida margem azul do lago

Não espelha a formosura do teu rosto...

 

A relva verde estendida sobre as planícies

Não possui a maciez das tuas mãos...

 

O céu estrelado em noites claras de lua

Não transmite a alegria do teu sorriso...

 

De que adianta esse paraíso todo ao meu alcance

Se nada aqui me faz te esquecer?

segunda-feira, 1 de junho de 2026

A INTERMINÁVEL BUSCA PELA PERFEIÇÃO

Crédito: Wikimedia Commons
 

“Mil vidas, Fernão, dez mil! E depois mais cem vidas até começarmos a aprender que há uma coisa chamada perfeição, e ainda outras cem para nos convencermos de que o nosso objetivo na vida é encontrar essa perfeição e levá-la ao extremo.”

                 Saudações literárias, nobre leitor! Cá estamos nós, prontos para mais uma viagem. Sim, meu caro, essa é a palavra ideal para descrever a literatura: viagem. Ela pode acontecer das mais diversas formas (e acontece mesmo), rompendo os limites de tempo e espaço, porque, para a criatividade humana, não existem fronteiras. Agraciados por essa magia, vamos, agora, partir do deserto do Saara, após uma busca pela nossa criança interior, em uma jornada (talvez) ainda maior, pois esse negócio de ficar comparando, querido leitor, é uma tarefa, às vezes, bem arriscada. E por que falar de riscos? Porque eles vêm bem a calhar na nossa história de hoje. Para aqueles leitores amigos ou amigos leitores (pois essa permuta de ordem daria uma bela aula de posições entre substantivo e adjetivo no discurso) que me cobraram, na semana passada, por uma trilha sonora – digna de O pequeno príncipe – a qual não fui capaz de encontrar, hoje tento corrigir minha incapacidade, acionando aquela nossa “playlist” com a canção “Be” na voz de ninguém mais ninguém menos que Neil Diamond para o filme de Fernão Capelo Gaivota, inclusive recomendo ao leitor que, mais tarde (pelo amor de Deus, leia o texto primeiro) assista ao clip, recheado de inspiradoras imagens e coroado com uma tradução que mostra o teor dessa música. Agora, deixemos de conversa e partamos.

                O ano é 1970 e a praia é uma praia qualquer, seja dos Estados Unidos, lar do autor, ou de qualquer lugar do mundo. Cá entre nós, temos as mais belas paisagens à beira-mar para usar como pano de fundo. Lá encontraremos uma gaivota. Isso mesmo, meu caro, eis o nosso protagonista do dia: um pássaro. Para que se possa compreender aonde quero chegar, é importante que se saiba que a gaivota é uma ave aquática encontrada em quase todo o mundo, que vive em bando e usa a beira do mar para sua alimentação, portanto, uma ave tida como comum. Entre um bando encontra-se Fernão, tido como estranho pelos demais. Por quê? Porque ele pensa diferente deles. Nosso herói recusa-se a acreditar que a vida seja apenas voar para pegar o alimento e retornar para a praia, dia após dia, por toda a sua existência. Deve haver algo mais que isso. Ele passa a explorar, então, a capacidade de voar, fazendo diversas experiências de voo, com manobras ousadas e tudo mais. Por certas vezes, ele fracassa, pois, não podemos nos esquecer, Fernão está imerso em um aprendizado e, existem erros com os quais se pode aprender.

                Por causa de seu comportamento “esquisito”, o que torna sua postura inadmissível para com a sociedade da qual faz parte, ele é expulso do bando, banido, condenado a viver sozinho. Fernão continua suas tentativas, até que encontra duas outras gaivotas, diferentes daquelas que via em seu bando. Essas, como ele, também têm a paixão por voar e o desejo de superar seus limites. Elas pedem que ele as siga. Após algumas aulas, Fernão transcende a outra dimensão na qual todas as gaivotas partilham o desejo por voar com excelência. Após muitos ensinamentos, ele tem como missão a de voltar para a realidade e tentar guiar outros que, como ele, sonham em evoluir nessa existência. De aluno, ele deverá passar a professor, porém, uma das grandes lições de seu mestre: somente o amor e o perdão podem trazer a liberdade que ele tanto busca.

                Caro leitor, já diz o velho ditado: “não se julga um livro pela capa”. Pois bem, à primeira vista, parece tratar-se de uma simples obra, levando alguns a pensar: “o que pode haver de tão profundo e revelador no enredo em que uma gaivota deseja voar melhor?” Ah, não caia nessa armadilha. Como diria o próprio autor nessa narrativa: “Não creia no que os seus olhos lhe dizem. Tudo o que mostram é limitação. Olhe com o entendimento.” É uma história sobre autoconhecimento. Sobre limites e desafios. Nesse momento peço encarecidamente (suplico, se for preciso) que não o confunda com um livro de autoajuda. Não, caro leitor, é muito mais que isso: trata-se, entre tantas coisas, de se perseguir um sonho. Quantos por aí não perderam essa humana capacidade, não é? Como nos versos de Cecília Meireles: “Permite que eu volte o meu rosto / para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho / como as estrelas no seu rumo.”, Fernão não se contenta com a realidade que se apresenta a ele e parte em busca de seus anseios. Claro que isso o tornará diferente dos demais, o que costuma ser motivo de exclusão em nossa sociedade, pois, na verdade, como na música dos mutantes: “Dizem que sou louco por pensar assim / Se eu sou muito louco por eu ser feliz”, muitas vezes o que não se enquadra no padrão da sociedade, fica à sua margem.

                O livro fala sobre a vida como um eterno aprendizado, como quando o protagonista diz aos seus pares: “Tem alguma ideia de por quantas vidas tivemos que passar até chegarmos a ter a primeira intuição de que há na vida algo mais do que comer, ou lutar, ou ter uma posição importante dentro do bando?” Sim, caro leitor, há tanta coisa para se saber nessa nossa longa estrada e, por tantas vezes, contentamo-nos com tão pouco, sem falar naqueles que acabam achando que já sabem de tudo. Quanta pobreza de espírito! E, falando em espírito, enxergo esse livro como uma verdadeira jornada espiritual, uma aprendizagem que supera em muito as necessidades materiais que, segundo o próprio protagonista, prendem e sequestram o nosso verdadeiro entendimento das coisas. Uma das frases mais célebres desse livro: “Enxerga mais longe a gaivota que voa mais alto”, refere-se justamente a essa busca pelo conhecimento. Se em minha primeira leitura, que se deu aos meus quinze anos de idade, eu procurava entender o que esse tal Fernão buscava, hoje, após mais algumas leituras, só tenho uma resposta: evolução. Porque, como adulto que hoje sou, entendo que a perfeição talvez jamais seja alcançada, contudo, quem a busca incansavelmente, com certeza, adquire uma evolução constante.

                Por último, porém não menos importante, o livro trata de uma relação com o sagrado, como algo ao qual se tem acesso, sem a mínima preocupação de uma definição ritualística ou se nomear uma religião, porque Deus está acessível a todos, é Ele a verdadeira perfeição. Na busca por sua liberdade (que aqui modestamente entendo como o abandono dos velhos conceitos e rótulos), Fernão aprende o papel do amor e do perdão: jamais se entende o outro por meio de julgamentos e reações impulsivas: “Fernão descobriu que o tédio, o medo e a ira são as razões por que a vida de uma gaivota é tão curta, e, sem isso a perturbar-lhe o pensamento, viveu de fato uma vida longa e feliz”. Que possamos, caro leitor, libertar-nos  de toda a mediocridade que nos aprisiona, de todo pensamento que nos apequena, que busquemos tirar os pés da areia e alçar grandes voos. Há tanto azul sobre nós, pronto a ser desbravado, que ampliemos o nosso olhar, percorramos grandes distâncias, buscando, sempre, nada mais que conhecer a nós mesmos. Que possamos dar o melhor de nós, terminando com aqueles mágicos versos de Fernando Pessoa pelo heterônimo Ricardo Reis: “Para ser grande, sê inteiro: nada / Teu exagera ou exclui. / Sê todo em cada coisa. Põe quanto és / No mínimo que fazes. / Assim em cada lago a lua toda / Brilha, porque alta vive”. Até a próxima!

BACH, Richard. Fernão Capelo Gaivota. São Paulo: Record, 2017.


sábado, 30 de maio de 2026

EM PROL DA TRANSFORMAÇÃO

Crédito: PEXELS

Um tal de Gandhi dizia

Em uma antiga nação

“Por mim é que se inicia

A global transformação

Toda obra principia

Do meu próprio coração”.

 

Se eu aspiro por mudança

Um exemplo devo ser

Pois não basta confiança

É necessário fazer

Com muita perseverança

Para a graça acontecer.

 

Relegar ao abandono

Aquela noção quadrada

Da qual não se é o dono

Ter a mente renovada

Abdicando do trono

Da certeza eternizada.

 

Procurar pela resposta

Com o coração aberto

A verdade está exposta

Pois é bom ficar esperto

Porque há sempre uma proposta

Para fazer o que é certo.

 

Já me sinto responsável

Abraço então a missão

Mantenho o corpo saudável

Pela autorregulação

A luta é inadiável

Não à procrastinação.

 

No controle eu permaneço

Ante cada sentimento

Os meus limites conheço

Mas eu sigo em movimento

É preciso, eu reconheço,

Gerar desenvolvimento.

 

Sinto a energia pura

A correr em cada veia

A mente clara e segura

Nova esperança semeia

A consciência madura

A cada impulso refreia.

 

O meu lado racional

Acolhe a cada emoção

Não me prendendo ao banal

Mantenho a concentração

Preciso ser funcional

Sem perder a atenção.

 

Não basta só a virtude

Uma alma plena de viço

É mister ter atitude

Eis o real compromisso

Pra atingir a plenitude

Todo bem requer serviço.

 

Não posso tudo sozinho

Por isso estou conectado

Cada um por seu caminho

Já está ultrapassado

Um pensamento mesquinho

À derrota já fadado.

 

Um vislumbre do passado

Urge o tempo da mudança

Traz um presente marcado

No advento da esperança

De um futuro renovado

Pelos ares da bonança.

 

Com motivação intensa

Na qual a fibra se esculpa

O bem por si só compensa

O mal só nos traz a culpa

É melhor pedir licença

Do que então pedir desculpa. 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

O ANJO RENEGADO: SODOMA (ABRIL 2026)

Imagem gerada por IA (Copilot)

 

TEMA

Desde quando frequentava o catecismo, toda vez que me deparava com a passagem da destruição das cidades de Sodoma e de Gomorra na bíblia, ficava imaginando como deveria ter sido, pois sempre achei falta de explicações e descrições, na verdade, de detalhes que demonstrassem como foi aquela tal “chuva de fogo”. Agora, quando adulto, tomado pela curiosidade, fui investigar melhor esse episódio, pois sempre me interessei por eventos catastróficos, buscando referências míticas e históricas. Quando meu parceiro teve a ideia de escrever um cordel sobre anjos, pois buscamos temas novos para nossos enredos, veio a ideia de relacioná-los a algumas cidades citadas no velho testamento e descrever com mais afinco o drama humano. Acompanhada dessa temática surgiu a sugestão de rechear a trama com um dilema vivido por um dos anjos durante a destruição da primeira cidade. Assim teve início a criação dessa saga que será desenvolvida em quatro cordéis.

SINOPSE

Dois forasteiros caminham pela estrada empoeirada em direção à cidade de Sodoma. Ambos estão incumbidos de uma terrível missão a cumprir: destruir a cidade cujos pecados atingiram o mais alto dos céus. Porém surge um contratempo: por intercessão de Abraão, eles deverão retirar os justos de lá antes do prazo final para começar a destruição total. Theliel tem esperança na humanidade, acreditando no seu poder de mudança, já Uriel pensa que seu companheiro superestima a bondade do homem, o qual usou seu livre-arbítrio para ofender cada vez mais a Deus. Eles adentram a grande cidade, disfarçados e atentos ao comportamento de seus habitantes. Acompanhe, neste primeiro volume, a saga de um anjo que ainda acredita na bondade do homem e se encontra disposto a lutar por ele com todas as suas forças.

 

Oito horas da manhã,

Dona Noemi saiu.

Ao mercado principal

Depressa se dirigiu.

O movimento era intenso

E aquele calor imenso

Da forma que sempre viu.

 

Nas ruas empoeiradas,

Caminhava com cuidado.

Chegando próximo à feira,

Movimento tresloucado:

Grande vaivém de pessoas,

Certas caras nada boas,

Andavam pra todo lado.

 

Vendedores mais diversos

Numa grande gritaria,

Oferecendo produtos

Que usavam no dia a dia,

Como era de costume:

Peixe, verdura e legume,

Muita fruta e especiaria.

 

Cada um na sua banca

Como o melhor vendedor:

Peixes frescos e salgados

Que exalavam certo odor.

As moscas sobrevoavam

E sobre os peixes pousavam,

Formando um quadro de horror.

 

Noemi foi a uma banca

Adquirindo cordeiro,

Depois comprou mais produtos

Junto com o verdureiro,

Mas, ao sair do lugar,

Parou quando viu passar

Um estranho forasteiro.


quarta-feira, 27 de maio de 2026

MAL DO SÉCULO

Crédito: Berur Chebil (PEXELS)

 

Depressão

Doença do homem moderno

Pressão da modernidade sobre o homem

Vítima de pressão externa

Talvez impressão

Sente-se sofredor

Sofre dor existencial

A própria existência

É a dor maior

De uma consciência

Com ciência

De que não vive

Apenas existe

E não insiste

Em vencer

E não vem ser

Feliz.


terça-feira, 26 de maio de 2026

O VOO 535 (MARÇO 2026)

Gerada por IA

 

TEMA

 O homem sempre foi fascinado pela ficção científica. Neste gênero, escritores puderam dar asas à sua imaginação, vislumbrados pelas conquistas no âmbito científico. Um dos temas mais fascinantes e visitados foi a viagem no tempo, explorada em seus diversos nuances. Quando esse tema liga-se a um avião lotado de passageiros, o enredo torna-se mais interessante como no livro “Fenda no tempo” do escritor Stephen King e, mais próximo de nossos dias, a minissérie que explorou o desaparecimento de um avião comercial. Tendo como base esses elementos e adicionando uma pitada de mundo pós-apocalíptico, somado a uma nada convencional epidemia zumbi surgiu a ideia deste cordel, totalmente ambientado em território brasileiro.

 

SINOPSE

Em uma bela manhã de inverno, no aeroporto de Curitiba, os passageiros do voo 535 embarcam sob os cuidados do comandante Herondino e de sua tripulação. A viagem corre às mil maravilhas até que o avião, repentinamente, acaba sendo envolvido por uma estranha tempestade, passando por uma grande turbulência. Apesar do susto, nenhum incidente de natureza grave é registrado a bordo. Ao fazer sua primeira escala, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, passageiros e tripulantes encontram o local, sempre tão movimentado, agora completamente deserto. Não há qualquer movimento ou ainda qualquer forma de vida. O que terá acontecido? Onde foram parar todos? Essas e tantas outras perguntas esperam por você nesse nosso primeiro cordel de ficção científica. Embarque conosco nessa viagem.


Sete horas da manhã,

Aeroporto Afonso Pena,

Cidade de Curitiba.

A senhora Madalena,

Ao lado de seu esposo,

Só observava a cena.

 

Muitas pessoas nas filas

Pra despachar a bagagem;

Outras tomavam café,

Mostrando camaradagem.

Os jovens faziam selfies

Com a bonita paisagem.

 

O inverno havia chegado,

Baixado a temperatura.

Enfrentar o frio lá fora

Só podia ser loucura.

O cruel vento açoitava

Com requintes de tortura.

 

Chocolate com canela,

Um belo dum cappuccino.

De lá da cafeteria

Vinha um aroma divino,

Agradando paladares

No período matutino.

 

Cada pessoa vestida

Com o seu casaco quente.

O frio forte dominava

Aquele enorme ambiente,

Que cada vez mais se enchia

Com todo tipo de gente:


TEU ORGULHO

Crédito: Tomris (PEXELS)   Se os teus olhos não se fechassem, veriam o quanto sofro por ti. Se a tua mente não negasse a verdade, saberi...