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| Crédito: Casper Somia (PEXELS) |
Acaso me amas
Conduz meus passos
Até tua porta
Convida-me então para cear
contigo
Velas acesas, violino ao
fundo
Lá fora nada mais importa
O mundo somos nós dois
Os outros, uma realidade
morta.
"Um espaço para se perder e se encontrar no universo em expansão da literatura."
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| Crédito: Mustafa Govde |
Há
tempos que o sorriso desapareceu de meu rosto,
Os
bons momentos fugiram-me à lembrança,
A
esperança, não mais que um surto de febre,
Rouba-me
preciosas noites de sono
E
em seguida, parte, deixando-me em paz...
De
uns tempos para cá, recuso-me a fazer previsões,
Perdi
o costume de abrir a janela pela manhã
À
espera de um dia de sol radiante.
Controlo
aquela ansiedade que dominava o peito
E
alguns tomam por saudades...
Ao
deitar-me, penso no dia que tive.
Vislumbrar
o amanhã é para os sonhadores
Enquanto
os realistas como eu
Agem
e reagem ao instante presente.
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| Crédito: Emrah (PEXELS) |
Trinta anos tristes já faz que eu enfrento
O peso de uma tão custosa vida
Povoada por choros e lamento
Da caminhada pouco sucedida.
Sempre caminhei só, de encontro ao vento
Por uma vastidão desconhecida
Vezes procurando por um intento,
A mais simples razão para a partida.
No caminho só pedras encontrei,
Muitas barreiras para superar...
Mil sombras no deserto eu enfrentei,
Nunca me permitiram descansar
Na arena onde meu sangue derramei,
Numa eterna procura por ganhar.
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| Crédito: manuscript_nerd (CC BY) |
Sejam muito bem-vindos, caros leitores e caras leitoras, fiéis companheiros de viagem, a mais uma de nossas espetaculares jornadas pelo incansável mundo da literatura. Deixemos para trás a cosmopolita e glamorosa Nova York e todos os seus demais encantos para passarmos por uma radical mudança de ambiente e de época. Vamos novamente acessar nossa “playlist” com a trilha sonora do filme “O nome da Rosa” composto pelo renomado James Horner para o filme de 1986 que conta com a presença do ator Sean Connery entre outros. Agora, que estamos devidamente prontos, embarquemos para o ano de 1327. Chegando lá vamos nos dirigir até a belíssima Itália onde encontraremos um mosteiro beneditino que será o espaço de nossa aventura. Essa abadia, um a construção magnífica, por sinal, prepara-se para ser o palco de um grande debate teológico entre os franciscanos por causa de divergências que os dividem em dois grupos distintos.
Até aí o caro leitor vai achar tudo muito normal, porém, com a chegada de um frei chamado Guilherme de Baskerville (um dos convidados para o tal debate) acompanhado do noviço Adso, um clima de mistério cai sobre a narrativa, pois se descobre que no local têm ocorrido mortes misteriosas, portanto, inexplicáveis aos olhos de todos. Não por acaso, Frei Guilherme é um religioso, mas dotado de grande capacidade de raciocínio e observação (praticamente um Sherlock Holmes) e vai utilizar todas as suas faculdades mentais na solução dessas mortes enigmáticas, curiosamente atribuídas ao diabo por grande parte dos religiosos; cabendo lembrar ao leitor que é muito mais fácil atribuir a culpa de algo a Deus ou ao diabo para não precisar encontrar o verdadeiro culpado por alguma coisa como se diz numa canção de Raul Seixas “É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro”, entretanto, o mais intrigante é que, quase setecentos anos depois, isso não mudou muito – não é este o tema de nossa coluna aqui? A verossimilhança? Mas nosso perspicaz protagonista não se deixa enganar e resolve dar continuidade à sua investigação por acreditar que existe alguém responsável por tais assassinatos.
Após algum tempo, acaba-se descobrindo que todas as mortes estão ligadas ao livro “Poética”, de Aristóteles. Todos os que o tiveram em sua posse, acabaram morrendo envenenados. A partir de então o foco volta-se para a maravilhosa biblioteca dos monges beneditinos, quando se descobre que havia uma parte da biblioteca cujo acesso era totalmente proibido aos demais. Não sei se é do conhecimento do caro leitor que, durante boa parte da Idade Média as bibliotecas, sempre situadas dentro dos muros da igreja, tinham o absoluto controle do que as pessoas podiam ou não ler, guardando a sete chaves os títulos considerados perigosos aos fiéis. Esses livros eram adquiridos e retirados de circulação. Com a chegada da imprensa, esse monopólio ficou ameaçado, o que obrigou a igreja a criar o famoso Index Librorum Prohibitorum (Índice dos Livros Proibidos), que circulou por cerca de 400 anos, sendo abolido somente pelo Papa Paulo VI em 1966. Mas estes são só alguns exemplos das tantas perseguições que o conhecimento (simbolizado pelos livros) sofreu ao longo das eras, as inúmeras censuras e recolhimentos de exemplares que “atentavam contra moral e os bons costumes”, não deixando de citar as cerimônias em que os nazistas queimavam milhares e milhares de exemplares, também não posso deixar de relatar que nosso caro Jorge Amado viu muitos exemplares de seu fantástico “Capitães de areia” (1937) serem queimados em praça pública.
Infelizmente não paramos por aí, caro leitor. Ultimamente temos assistido com frequência a movimentos de proibição de livros capitaneados por governos ou ainda liderados por pais de alunos em diversas escolas, tudo isso sem a menor possibilidade de discussão ou debate. “Não concordo com o livro!”, “Não gostei do que li”, “Por que não proíbem algo assim?” Pronto! Está ligada a luz de alerta para o retrocesso do conhecimento! A frase do filósofo Francis Bacon, em 1597: “Scientia potentia est” (Conhecimento é poder), acompanhada de uma reformulação pelo criador da psicanálise, Sigmund Freud “Só o conhecimento traz o poder”, assombram-me em tempos obscuros como esses (para aqueles que pensam que a Idade das Trevas ficou para trás, para sempre). Pobre inocência!
Voltando mais um pouco ao enredo, descobre-se que o problema que paira sobre o tal livro de Aristóteles é porque ele é dedicado ao riso e, segundo frei Jorge: “o riso é uma ameaça capaz de destruir o temor a Deus e, consequentemente o poder da igreja.” É a partir desse ponto, caro leitor, que a literatura começa a ser considerada algo perigoso: porque nos faz sonhar, viajar, conhecer outras realidades e, por que não, a si mesmo? Pode nos trazer o riso e tudo mais, inclusive a liberdade. Ah, e a liberdade é algo muito, muito perigoso. Sempre foi. O enredo nos traz muitos outros conflitos, como a chegada de um desafeto de frei Guilherme, Bernardo Gui, um temido inquisidor, que faz suspender todas as investigações, numa verdadeira caça às bruxas e ainda há espaço para uma paixão envolvendo o noviço Adso. Com um desfecho inesperado (e que mantendo minha regra de ouro, não o revelarei aqui. Leia a obra!), o leitor tem todas as respostas de que precisava para entender a trama. E quanto ao título? Você pode me perguntar. Ah, esse tal de Umberto Eco era mesmo um brincalhão. Dizem por aí que colocou um título que ficasse em aberto para muitas interpretações contidas no enredo ou até mesmo fora dele. Se for curioso o suficiente, procure por elas!
Sei que hoje o caro leitor pode achar que peguei um pouco pesado com a instituição Igreja, mas a intenção estava longe de ser essa, mas sim mostrar o quanto a arte (no nosso caso, a literatura) foi e continua sendo perseguida, vista como um instrumento de subversão e rebeldia, porém isso é só a cereja do bolo porque, lá no fundo, nas camadas do recheio, está a leitura como uma das formas de aquisição do conhecimento. Cabe lembrar que isso é uma ameaça a qualquer sistema (político, financeiro, religioso, ideológico) que busca pela obediência cega e pela alienação que nos distancia cada vez mais da realidade. Lembrando uma das frases que mais aprecio: “A literatura é uma mentira que conta a verdade”. Ah! Caro leitor! Toda nação que tem os livros como seus inimigos está fadada a passar por tempos muito sombrios. Termino por aqui com um trecho de um poema do brilhante Castro Alves: “Bendito o que semeia / Livros… livros à mão cheia… / E manda o povo pensar! / O livro, caindo n’alma / É germe – que faz a palma, / É chuva – que faz o mar!” Até a próxima.
ECO, Umberto. O nome da Rosa. São Paulo: Record, 2019.
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| Crédito: Jsme MILA (PEXELS) |
Quem pede licença, quem diz obrigado,
Quem pede desculpa, que segue gentil,
Respeita os demais e não busca ser vil,
Que faz seu discurso num tom moderado,
Não segue ofensivo nem fala exaltado,
Que nas relações sabe bem se portar
E ao seu semelhante só faz respeitar,
Nos mostra que o rumo no meio da trilha
Provém do respeito que tão alto brilha
Nos dez de galope na beira do mar.
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| Crédito: Thirdman (PEXELS) |
Se um dia eu
pudesse ver
Seria tão
diferente
Nos olhos
reconhecer
Cada coisa,
tanta gente
Conseguir
ver um sorriso
Como sendo o
paraíso
Num
semblante de criança
Mesmo
envolto pelo escuro
Enxergar
além do muro
Um frágil
fio de esperança
Se me fosse
dada a graça
Da mais
nítida visão
Terminada a
minha caça
À mágica
solução
Buscaria
achar enfim
Do arco-íris
o tal fim
Em suas
cores viajar
Em meio ao
azul do céu
Fazer um
grande escarcéu
Tanta cor
pra admirar
Se me fosse
permitido
Enxergar
todos e tudo
Diante do
colorido
Capaz que eu
ficasse mudo
Por entre as
sortidas cores
Descobriria
valores
E nas faces
mais felizes
Eu
identificaria
A expressão
da alegria
A ofuscar
cicatrizes
Se esses
meus olhos se abrissem
Correria
para ver
Tudo quanto
descobrissem
Sem nenhum
tempo a perder
Pra depois
guardar no peito
Vendo o
mundo do meu jeito
Não pelos
olhos de alguém
Aprendia a
ver melhor
A vida toda
ao redor
E o que de mais
belo tem.
Se um dia
fosse possível
Eu enxergar
de verdade
Ah! Seria
tão incrível!
Digo com propriedade
Contemplar a
natureza
Em show de
rara beleza
O véu que
forma a cascata
Nuvens de
puro algodão
O sol
vermelho em paixão
A lua em
traje de prata
Se eu
pudesse admirar
A largura do
oceano
Ondas
bailando no mar
Estrelas no
negro pano
Rubro tom do
alvorecer
Laranja ao
entardecer
Cobre a mata
verdejante
Um jardim
multicromático
Capaz de
deixar estático
Todo e
qualquer habitante.
Queria mesmo
poder
Da mãe o
puro semblante
Ver o seu
filho nascer
Mirá-la no
exato instante
Em que toda
comovida
Assiste à
certa partida
Do filho que
ganha o mundo
Que perde o
primeiro dente
Estando
triste ou contente
No seu olhar
mais profundo
Queria lá da
janela
Ver chegar
as madrugadas
O ipê de
flor amarela
Muitos
casais de mãos dadas
Criança
empinando pipas
Um canteiro de
tulipas
Queria ver
estendidas
Bandeiras
brancas de paz
Mesmo de
forma fugaz
Tremulantes,
decididas...
Alguém
estendendo a mão
Em um gesto
decidido
Para erguer
o pobre irmão
Que no chão
está caído
Presenciar a
humanidade
Em ações de
caridade
Todos espalhando
o bem
Apertos de
mão, abraços
A preencher
os espaços
Muitos
corações também.
Se um dia eu
pudesse ver
Seria tudo tão
novo
Tanta coisa
pra aprender
No meio
desse meu povo
Uma eterna
novidade
Olhar de
curiosidade
Com
surpresas de montão
Enquanto não
chega o dia
Eu fico com
a magia
De olhar com
o coração.
Crédito: Casper Somia (PEXELS) Acaso me amas Conduz meus passos Até tua porta Convida-me então para cear contigo Velas acesas, v...