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quarta-feira, 29 de julho de 2026

REPOUSO

Crédito: Guo Fengrui (PEXELS)


Faz-se noite nos centros urbanos...

Dorme a cidade envolta num manto salpicado de estrelas

O vento ensaia uma canção de ninar 

O luar lança uma tênue luz de abajur

O silêncio apodera-se do gigante adormecido...

Um descanso longe dos agitos noturnos

Tudo respira o mais absoluto silêncio.

Sorrateiros felinos são responsáveis pelo único movimento

Corujas agourentas assombram alguns sonhos

Vigias ressonam no entorpecente ar das madrugadas

A urbe repousa em estado vegetativo

O sono assistido por astros vigilantes

Na expectativa pelo momento de despertar.


terça-feira, 28 de julho de 2026

METAMORFOSE

Crédito: Tom Van Dick (PEXELS)


Traz para perto o corpo já distante

Enche de beijos tal boca vazia

Causa, no triste rosto, a alegria

Reduz a espera eterna a um instante.


Faz correr sangue quente em frias mãos 

Inunda de certeza o mar da dúvida

Remete em mente louca uma alma lúcida

Sensibiliza o que só tem razão.


Paciência onde há inquietude

Reverte todo o rancor em perdão 

Encontra, no defeito, uma virtude.


Leva às alturas quem tem pés no chão 

Com as lágrimas lava o peito rude

Faz do drama da vida uma canção.


sábado, 25 de julho de 2026

O TREM DESSA VIDA É VELOZ POR DEMAIS

Crédito: Dongjie Chen

 

O trem dessa vida é veloz por demais.
Prossegue bem firme no rumo constante,
Bem lento ou ligeiro só segue adiante.
Não para ou espera, recua jamais
Nem peca por menos tampouco por mais.
Só pensa em partir ou então regressar,
Sequer adianta ou pretende atrasar.
De sua cabine comanda o destino:
Pra uns, ser humano; pra outros, divino,
Nos dez de galope na beira do mar.


sexta-feira, 24 de julho de 2026

NUNCA

Crédito: Raphael Brasileiro (PEXELS)

 

Nunca abri mão do direito

De um dia, enfim, ser feliz.

Nunca passei por um mal

Que não deixou cicatriz.

Nunca cometi um erro

Do qual não fosse aprendiz.


Nunca admiti amostras

Do mínimo preconceito.

Nunca deixei de mostrar

Por alguém o meu respeito.

Nunca gostei de fazer

As coisas só do meu jeito.


Nunca desisti dos sonhos

Nem mesmo por um momento.

Nunca escondi de ninguém

O meu real sentimento.

Nunca sequer duvidei

Da força do pensamento.


Nunca conquistei sucesso

Às custas de um outro alguém.

Nunca desejei o mal

A quem não me fez o bem.

Nunca tomei um partido

Somente porque convém.


Nunca quis ganhar no grito

Em nenhuma discussão.

Nunca permiti que o impulso

Calasse a voz da razão.

Nunca concedi ao ódio

Tomar o meu coração.


Nunca aceitei que o errado

Fosse visto como certo.

Nunca mantive distante

Quem me queria por perto.

Nunca ocultei de ninguém

Se era pra ser descoberto.


Nunca desrespeitei regras

Para a boa convivência.

Nunca parei de colher

O fruto da paciência.

Nunca tapei os ouvidos

Para a voz da consciência.


Nunca achei graça nenhuma

Ao ver a miséria alheia.

Nunca deixei seduzir-me

Pelo canto da sereia.

Nunca me expus à aranha

Pra me enredar em tal teia.


Nunca me achei o melhor,

Buscando sempre aprender.

Nunca desprezei a chance

De adquirir mais saber.

Nunca julguei as pessoas

Pelo que ostentavam ter.


Nunca evitei enxergar

A cruel realidade.

Nunca adotei a estratégia

De esconder-me da verdade.

Nunca achei ser algo ingênuo

Falar com sinceridade.


Nunca chamei de covardes

Aqueles que não revidam.

Nunca vi por corajosos

Os sujeitos que intimidam.

Nunca deixei sem respostas

A todos que me convidam.


Nunca abandonei à sorte

Qualquer um dos meus amigos.

Nunca assumi aventuras

Sem cogitar os perigos.

Nunca neguei a ninguém

Os meus braços como abrigos.


Nunca me cansei de crer

Em um futuro brilhante.

Nunca imaginei meu sonho

Uma coisa tão distante.

Nunca recuei meus passos

Em vez de ir adiante.


Nunca falei por impulso

Pra depois se arrepender.

Nunca julguei de antemão

Bem antes de conhecer.

Nunca disse só de ouvir

Pra só depois poder ver.


Nunca falei juramentos

Que não pudesse cumprir.

Nunca entrei em uma luta

Da qual quisesse fugir.

Nunca vi monte tão alto

Que não pudesse subir.


Nunca sofri uma queda

De que o corpo não se ergueu.

Nunca houve uma lição

Que a mente não aprendeu.

Nunca, nunca, sempre nunca.

Assim que se sucedeu.


quinta-feira, 23 de julho de 2026

SEM COMPASSO

Crédito: Rakicevic Nenad (PEXELS)

 

Coração bate sozinho

Solitário sem compasso

Lamentando alguém distante


Saudade fez morada para sempre

Solidão não vai mais embora

Agora será sua única amante

Felicidade não mais que recordação

Paixão que outrora foi contagiante.


quarta-feira, 22 de julho de 2026

MEMÓRIAS

Crédito: Adnan Kale (PEXELS)

 

Verão, novo tempo de saudades...

O coração parece bater com mais entusiasmo...

Visito lugares e velhos conhecidos.

Reencontro os sinais de um grande amor.

A memória repleta de lindos momentos

Como feitos de uma natureza recente...


Ainda persiste em meus lábios

O gosto doce dos teus beijos,

O vento traz o teu perfume,

Os ouvidos ainda reconhecem a tua voz.


Tudo é motivo para recordações 

Nada é capaz de esquecimento.

Os dias passam lentamente

Mas tua lembrança permanece

Para sempre comigo, mesmo que distante.


terça-feira, 21 de julho de 2026

A PERFEITA CRIAÇÃO

Crédito: KoolShooters (PEXELS)


Procura por palavra tão dileta,

Busca o seu exato significado.

Almeja o verso limpo e trabalhado,

Vê nessa estrofe tal forma correta.


Investiga a tal fórmula secreta,

Dos gênios artesãos raro legado.

Idolatra o vocábulo sagrado,

Adoração eterna do poeta.


Entrega-te à mais pura criação, 

Alma e coração num trabalho sério.

Escuta no silêncio a inspiração.


Captura o perseguido e cru mistério,

Verbaliza no plano a emoção, 

De uma palavra breve ao verso etéreo.


REPOUSO

Crédito: Guo Fengrui (PEXELS) Faz-se noite nos centros urbanos... Dorme a cidade envolta num manto salpicado de estrelas O vento ensaia uma ...