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| Crédito: Eddie Stofe (PEXELS) |
Nenhuma alegria afasta
A saudade deixada
Por tua partida
Dias de sol me deixaram
A casa escura e vazia
O tom cinza de despedida
Toca meu coração como hino
E provo cada lágrima caída
"Um espaço para se perder e se encontrar no universo em expansão da literatura."
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| Crédito: Element5 Digital (PEXELS) |
Tranquei meus sonhos de criança
No escuro do quarto de despejos
Ainda ali se encontram amontoados
Na disputa pelo espaço com os brinquedos.
Quando adolescente escondi a chave
Afastando minha pureza dos olhos curiosos
Procurei esquecê-los por completo
Mesmo depois de adulto nunca abri o cômodo
Inclusive perdi a chave, propositalmente.
Com os anos evitei aproximar-me da porta
Por medo de que as fantasias encarceradas
Iniciassem uma verdadeira rebelião, fugissem,
Ganhando mais força ao cruzar o batente
E me revelassem de forma nítida
O adulto que nunca tive coragem de ser.
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| Foto fornecida pelo autor |
CLEBER DUARTE é um poeta potiguar nascido em Umarizal-RN, usa o pseudônimo de "Chico Furtado" nas redes sociais. Mora no Centro-Oeste brasileiro há quase 30 anos. Administrador de empresas por formação. Começou a fazer versos já no alto dos seus 37 anos, exatamente em 2018, mesmo ano do nascimento do seu primogênito: Vinícius. Oito anos depois, em abril de 2026, nasceram os gêmeos Victor e Levi, diz ele, com todas as palavras, que renasceu poeta após o nascimento do seu primeiro filho. Casado desde 2012 com Rosy, filho de Ivete Duarte e João Furtado Sobrinho, irmão de Cleuma e Kleiton.
Escreve diversas modalidades de poesias, define-se como um ser muito curioso e,
por essa razão, busca aprender tudo o que for possível sobre o fazer poético. É,
atualmente, coordenador do importante Projeto Cultural: Desafios Poéticos.
Seja bem-vindo, poeta Cléber Duarte, ao nosso espaço de entrevistas do
blog Cosmo Literário.
Olá, meu Poeta Márcio Fabiano, muito obrigado pelo convite. É uma honra bater esse bate-papo poético contigo, aproveito para saudar a todos que estão tendo acesso a essa conversa. Esperamos que seja produtiva e instrutiva.
Cleber, para começarmos essa nossa conversa, como foi que a poesia entrou na sua vida? Foi um estalo na infância ou algo que desabrochou mais tarde? Conte-nos como se deu esse contato entre vocês.
Então, poeta. Acredito que a poesia já nasceu comigo, mas estava adormecida, e ela despertou com o nascimento do meu primeiro filho, Vinícius, há 8 anos e alguns meses. A emoção de ser pai foi tão grande, que busquei uma forma de me expressar e a poesia se apresentou como esse instrumento e desde então, escrevo... E nesse ano, Deus nos presenteou com mais duas inspirações: Victor e Levi, portanto, motivos para escrever não faltam!
Sabemos que todo escritor começou como leitor. No seu caso, quais são as suas maiores referências literárias? Quem são os escritores que moldaram o seu estilo de escrita?
Sempre gostei muito de ler, mas não tinha o hábito de ler poesia, era mais contos, prosas, romances... Mas desde que me descobri poeta, sou um leitor assíduo de poesia, especialmente os gêneros de estrutura fixa, ou seja, rimada e metrificada, sou visitante assíduo de sebos, um caçador de raridades. Gosto muito dos poetas antigos, mas bebo muito na fonte dos contemporâneos também, dentre os mais antigos, aprecio: Patativa do Assaré, Fernando Pessoa, Ronaldo Cunha Lima, Cancão, Rogaciano Leite, Cecília Meirelles... Já dentre os contemporâneos, Dedé Monteiro, Antonio Francisco, Luiz Gonzaga Maia e todos os poetas do Desafios Poéticos... Aprecio e aprendo, diariamente.
Ao visitar suas redes sociais, acabei descobrindo, no Instagram, que você adota o pseudônimo de Chico Furtado. De onde veio essa ideia e qual a razão de adotar um pseudônimo? Por que a escolha por esse nome?
Chico Furtado é meu nome também, me chamo: Francisco Cleber Duarte Furtado. Há quem ainda não saiba que se tratam da mesma pessoa, quando decidi criar um perfil no Instagram, pensei que não o faria com o meu nome mais conhecido, pois queria dedicá-lo somente a poesia e ele é assim até hoje, então tive a ideia de criar com o Chico Furtado.
Cleber, hoje você está à frente de um grupo denominado Desafios Poéticos. Poderia nos contar um pouco da história do grupo? Como foi que ele nasceu? Quando você começou a participar? Como que objetivos esse grupo foi criado?
O Desafios Poéticos, foi fundado e idealizado pelo poeta paraibano, Antônio
Medeiros (Medeirão), juntamente com o seu primo, poeta José Medeiros e o poeta
Bernardino Bezerra (os dois últimos in memoriam), teve o seu marco inicial, no
dia 13 de dezembro de 2020, com o objetivo principal e o intuito de praticarem
e aprimorarem o fazer poético, através de motes a serem glosados e estrofes
analisadas e classificadas, com a dinâmica de um concurso poético diário.
Inicialmente com pouco mais de uma dezena de membros, hoje temos 70
componentes. Esse nome: Desafios Poéticos, fora sugerido pelo poeta Bernardino
Bezerra e aceito pelos demais pares, por se tratar exatamente de um desafio
diário de poesia de bancada, onde a prática e a troca de experiências moldaram
e até hoje contribuem para a evolução da escrita de todos os membros. Em 18 de
maio de 2021, fui convidado pelo Poeta Luiz Gonzaga Maia e de pronto aceitei o
convite quando ele me disse como era a dinâmica.
O projeto alcançou marcos incríveis de audiência e episódios
distribuídos. Você poderia nos falar um pouco sobre o número de episódios
já lançados, plataformas em que eles se encontram, além de números de países e
ouvintes alcançados com esses episódios?
Ainda no mês de maio de 2021, começamos a publicar os trabalhos declamados nos canais de streamings, inicialmente pelo Spotify e hoje podem ser apreciados por diversas plataformas, dentre elas o Youtube, Amazon Music, Apple Podcast, Deezer dentre outros, por entender que tão belas poesias deveriam ganhar asas e atingir corações no mundo inteiro. Em decorrência, desse trabalho diário, de criação e divulgação dos episódios, estamos prestes a completar as 2100 edições. O nosso programa possui audiência em mais de 110 países, divididos em 5 continentes.
Tendo em vista esse alcance extraordinário por tantos países que, em sua maioria, não falam o nosso idioma, como você entende que outras nações e outras línguas apreciem a nossa poesia em Língua portuguesa?
Acredito que esse apreço, essa busca pela nossa poesia, se dê por brasileiros que moram fora ou por pessoas que falam a nossa língua, mas não se restringe somente a isso, hoje não há idioma que não se possa traduzir, a palavra é universal, da mesma maneira que pesquiso poesias fora daqui, o contrário também é verdadeiro. E o Desafios Poéticos hoje possui o maior acervo em minutagem de poesia de estrutura fixa declamada, serve de base para quem busca estudar a poesia. Hoje existem tradutores simultâneos nas principais plataformas de áudio e vídeo.
Para que os nossos leitores possam compreender melhor, como funciona a dinâmica do grupo hoje? Qualquer pessoa pode participar dos desafios ou interagir com vocês? Existe algum tipo de critério para selecionar quem participa do grupo?
A dinâmica do Desafios Poéticos funciona da seguinte maneira: diariamente alguém se disponibiliza de maneira voluntária a colocar um mote a ser glosado, normalmente é postado às 15h e todos os demais poetas tem 24 horas para enviar os seus trabalhos escritos e declamados para o autor do mote, para serem analisados por ele, que por volta das 16h do dia seguinte traz o resultado, contendo 50% dos classificados e 50% dos desclassificados que chamamos de “Menção Honrosa”. Temos duas modalidades de julgamento: a modalidade às claras e a modalidade às cegas. A diferença é simples, na primeira o autor no mote recebe diretamente do concorrente o seu trabalho, consequentemente julga sabendo de quem é a estrofe. Já na análise às cegas, o julgador recebe as estrofes sem o nome do participante, filtrado e organizado antes por um colaborador escolhido por ele. Além desse trabalho de análise e a concorrência diária, usamos as estrofes declamadas para criar diariamente um episódio no Spotify, Youtube e demais outros canais de streaming. Portanto, toda a atividade acompanha um episódio que fica salvo para a posteridade, todos os participantes da atividade entram no episódio, independente de classificação. Quanto à participação, qualquer poeta pode participar, mas temos alguns critérios, como por exemplo, o limite de participantes, hoje o grupo comporta apenas 70 componentes, mas temos lista de espera e uma vez que o poeta convidado esteja participando das atividades mesmo fora do grupo, o que chamamos de convidado, logo que surgir uma vaga, ele tem a oportunidade de entrar. Se alguém que está lendo, tiver o interesse, deixe uma mensagem em nossas redes sociais e retornamos.
O carro chefe do seu grupo é a poesia popular, inclusive partiu dela a origem do grupo. Como vocês conseguem manter a essência dessa modalidade de poesia (cordel e repente) viva em um ambiente totalmente digital? Parece ser um grande desafio.
De fato, a essência hoje do nosso coletivo é a poesia popular, acredito que 98% dos nossos escritos até aqui, passeiam por ela. Mas como o próprio nome do grupo diz, não fugimos dos desafios e vez por outra escrevemos modalidades mais eruditas. Esse importante coletivo poético, que começou escrevendo décimas em 7 ou 10 sílabas, hoje passeia pelos diversos gêneros da poesia de estrutura fixa, da sextilha ao galope, da trova ao soneto. Usamos a rede mundial para espalhar esses versos pelo mundo, é bem verdade que a audiência ainda é baixa, mas não buscamos números vazios, apenas para compor estatísticas, esperamos que aquele que tiver acesso aos nossos trabalhos, possam apreciar da melhor maneira possível.
Sabendo que no grupo existem participantes de todas as regiões do Brasil, de quase todos os estados, gostaria de saber se, além dessa dinâmica virtual, de interação nas redes sociais, o grupo também participa de algum tipo de atividade ou encontro presencial. De que forma isso acontece?
Estamos espalhados pelo país inteiro e por fora, como por exemplo na França e em Portugal; temos participantes nos 9 estados do Nordeste, Santa Catarina, Roraima, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Brasília, Goiás... Sobre a nossa interação além do virtual, vez por outra nos encontramos, seja num Festival de Poesia de Bancada, seja nos demais encontros de poesia que acontecem pelo país afora. Outra oportunidade é quando estamos viajando de férias pela região que há alguém do grupo e fazemos assim um encontro com aqueles que moram mais próximos, expediente esse que ocorre muito no Nordeste. Os seus membros, diante da prática frequente e o aprimoramento da escrita poética, sempre são premiados em concursos diversos, espalhados pelo país à fora, além de participarem de alguns certames como jurados, em decorrência da expertise que a dinâmica oferece a cada um que lá esteja e se dedica. Além de diversas obras, que estão sendo publicadas pelos nossas poetas, eles têm sido convidados a participarem das principais academias de letras do território nacional.
Cleber, sabendo que muito já foi feito, mas, olhando para frente, quais são os próximos passos e projetos planejados para o Grupo Desafios Poéticos? O que a comunidade pode esperar?
Prestes a completar 6 anos de vida, ainda uma criança, pedimos ao Poeta Maior, que nos conceda, vigor poético e inspiração, para que possamos continuar criando e espalhando poesia aos quatro cantos do mundo, para que fique de legado as próximas gerações! O Desafios Poéticos não quer parar com as suas publicações diárias no Spotify e Youtube, bem como ampliará a sua maneira de se comunicar com os ouvintes, leitores, apreciadores dessa nobre arte, seja através de lives nas redes sociais, seja em publicações impressas, dentre outros. Inclusive, em primeira mão, quero dizer que estamos tentando desenvolver uma Rádio Web, para que toque a nossa poesia 24 horas por dia e os 7 dias por semana. Aguardem!
Cléber, saiba que foi um grande prazer ter você aqui conosco partilhando sua grande experiência como poeta e como um difusor da poesia. Desejamos a você muito sucesso em seus novos projetos. Muito obrigado!
Poeta Márcio Fabiano, muito obrigado pela oportunidade, conte comigo sempre que precisar, estarei sempre à disposição para contribuir de alguma forma com a difusão e divulgação da nossa poesia, parabéns por esse cuidado com a cultura. Quem quiser me encontrar, deixe uma mensagem em quaisquer um dos canais do Desafios Poéticos, seja no Spotify, Youtube, Instagram... O meu perfil pessoal é: poetachicofurtado e o meu WhatsApp: (61) 98214-5692. Obrigado pela atenção de todos. Um forte e cordial abraço de Cleber Duarte.
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| Crédito: Tuba Karabulut (PEXELS) |
Eu monto no baio e cavalgo ligeiro
Cortando essa relva que forma a campina
A vista que alcança a paisagem divina
Comove e emociona o veloz cavaleiro
Um filho dos campos, sou rude vaqueiro
No lombo dum potro sei bem me virar
Eu domo, cavalgo, sou bom em laçar
Entendo este ofício tal qual dom divino
Sou um defensor do viver campesino
Nos dez de galope na beira do mar.
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| Crédito: Alfred Dena (PEXELS) |
Meu pai me disse uma vez:
- Presta atenção, filho meu,
Na grande escola da vida
Em que teu pai aprendeu.
Muita gente se formou
Pelo tempo que viveu.
Na vida nada é de graça:
Para tudo existe um custo.
O preço por que se paga
Nem sempre será o justo.
Por vezes pode ser fraco;
Por outras, bem mais robusto.
Escuta sempre os mais velhos,
Ouve a voz da experiência!
Não despreze seus conselhos,
Não faças tal negligência.
De todas as professoras
A maior é a vivência.
Toda longa caminhada
Se começa num só passo,
Não sendo maior que a perna
Pra não cair no cansaço.
Sempre mantenha a constância
Para evitar o fracasso.
O caminho bem mais curto
Não dá qualquer garantia
De que a trilha será fácil,
Que será só alegria...
Estrada que não tem pedra,
Caminhante desconfia.
Não sejas refém do ódio,
Prefere sempre a bonança.
Jamais confunda a justiça
Com desejo de vingança
Pra que a vil escuridão
Não roube tua esperança.
Haverá dias de chuva,
Também dia ensolarado.
Em uns tudo dará certo,
Em outros dará errado.
O mundo vive em mudanças:
Sempre esteja preparado!
É bom contar com os outros,
Bem melhor contar contigo,
Pois tenha sempre amor próprio
E ao menos um bom amigo
Que partilhe as tuas glórias,
Te acompanhe no perigo.
Respeite a qualquer pessoa
Para merecer respeito.
Todos somos diferentes,
Cada um com o seu jeito.
Todos temos qualidades,
Mas também algum defeito.
Sempre haverá uma pedra
Pra te fazer tropeçar.
Cair faz parte da vida,
Não deixa de levantar!
Cada queda que sofrer,
Mais forte vai te deixar.
Não importa a consequência,
Defende sempre a verdade!
Nada pode valer mais
Que a tua dignidade
Porque a honra não tem preço.
É a tua identidade!
Nem tudo que há no mundo
Podes comprar com dinheiro.
Discerne o que é duradouro
Daquilo que é passageiro.
Não troca por ninharia
O teu bem mais verdadeiro.
Seja gentil com o mundo,
Pouco importa o resultado...
Gentileza é doação,
Não bilhete premiado.
Quando se pratica o bem,
Já estás recompensado.
Perante toda miséria,
Procura ser solidário.
Maior castigo do mundo:
Sentir-se tão solitário.
Faça do teu coração
O teu primeiro sacrário.
Mais fácil culpar o outro
Que assumir tua fraqueza.
Se não tiver humildade,
Só mania de grandeza,
Não irás evoluir
E disso eu tenho certeza.
Não temas pelo futuro!
Deves seguir sempre em frente.
Jamais olha para trás,
Aproveita o teu presente!
Se a gente cuida dos outros,
A vida cuida da gente.
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| Crédito: Arlind D (PEXELS) |
Para encontrar a verdade, antes de tudo,
Precisa tirar os olhos de si
Eliminar a estúpida pretensão mortal
De que se tem sempre todas as respostas
Superar o complexo de autossuficiência.
Curar o estado de espírito de superioridade
Após altas doses de realidade nua e crua.
Quem se constitui mestre de si mesmo
Nomeia a tolice como guru espiritual
E conduz os passos ao abismo da ignorância...
A ingrata ilusão de se enxergar maior que o mundo
Desperdiça ricas oportunidades de aprendizagem e crescimento
Todo aquele que ignora as preciosas lições de vida
Passa a existência em processo de recuperação contínua.
Crédito: Eddie Stofe (PEXELS) Nenhuma alegria afasta A saudade deixada Por tua partida Dias de sol me deixaram A casa escura e vazia O tom c...