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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

CORDEL DA VIOLÊNCIA

Crédito: Enrico Hanel (PEXELS)


“Quem pode mais, chora menos”

Já diz o velho ditado.

O homem se faz violento

Pra não ser violentado

Pois arma-se até os dentes

E pensa estar preparado.


Estando pronto pra guerra,

Procura por um abrigo.

Corre os olhos ao redor

Na busca pelo inimigo.

No frenesi do combate,

Se fere por fogo amigo.


Em prol da sobrevivência,

Neste afã de combater,

Ele torna-se implacável 

Pois é matar ou morrer.

Aos amigos, o perdão.

Aos inimigos, sofrer.


Renuncia à piedade,

Que ela não pode salvar.

Como o mal não tem limite,

Já basta de perdoar.

Velha lei do olho por olho

Passa agora a vigorar.


Pouco a pouco a lei da selva

Também entrou em vigor:

Só os mais fortes sobrevivem,

“Batatas ao vencedor!”

Se não quer ser dominado,

Seja um dominador.


E o homem que é violento,

Pobre vítima inocente,

Nunca percebe que o ódio 

Corrói coração e mente

E consome sua alma

Em vingança lentamente.


Quando pensa ter controle,

É que falta consciência.

Quando mata o violento,

Não se acaba a violência. 

É preciso muito mais

Pra chegar à sua essência.


Pois saiba que a força bruta

É potente combustível 

Para a máquina do mal,

Praticamente invisível, 

Como o fogo alimentado

Pronto a tornar-se invencível.


Uma chama que consome

Tudo o que vê pela frente:

As esperanças e os sonhos

E o sangue do inocente,

Que faz, entre tantas vítimas,

A cada amigo e parente.


Como estrada de mão única 

Em que se põe a andar,

Quanto mais longe se vai,

Mais difícil de voltar.

E muitos já se perderam

Sem mais chances de voltar.


Então não ceda ao impulso,

Resista à destruição. 

Jamais se deixe levar 

Por tal brutalização. 

Liberte o rancor do peito,

Jogue fora a munição.


Violência por si mesma

Não é questão resolvida.

Por acaso pode a morte

Defender a própria vida?

Não entre por esta porta,

Lá dentro não tem saída.


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

NOSSO JARDIM

Crédito: Meriç Tuna (PEXELS)

Voltará minha alegria

Quando tu retornares

Para seres minha.


Nosso lindo jardim florescerá novamente:

Juntos, buscaremos plantar novas flores,

Arrancaremos imediatamente cada erva daninha.

Nosso amor desabrochará na união,

Qualquer flor perece estando sozinha.  


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

FARDO ETÁRIO

Crédito: Natália Olivera (PEXELS)

O tempo passa...

A energia abandona o corpo.

Os sonhos tingem-se de cor de frustração, 

Um gosto amargo vem à boca.


Os amigos, cada vez mais distantes,

Revisitados em fotografias de moldura antiga.

Tudo perde o caráter emergencial...

Recorda-se para poder sobreviver.


A vida torna-se um pesado fardo

E quem o compartilhava, já não é mais.

Um arrastar solitário por léguas,

A cabeça baixa afim de não mirar os olhos...


Agora se tem muito a perder,

Nada mais para conquistar.

Em silêncio, segue-se o trajeto,

Até que um dia: não mais.

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

SONETO DA PAIXÃO

Crédito: Anderson Martins (PEXELS)


Todo este insano medo sentido por mim

Não chega a ser mais que tremenda ansiedade

Esta tão delirante e tão louca vontade

De ouvir da tua boca nada além do sim.


Esta estranha mania de suar tão frio

Seguida desta febre que causa delírios

Meu pobre coração, presa vil dos  martírios 

A provocar visões em forma de arrepio.


Todo esse turbilhão das emoções que sinto

Em ritmo veloz a me causar tontura

Vontade contra a própria vontade, não minto.


Pois tenho estado assim: dia e noite acordado

Por ora em sanidade, por vez em loucura

Logo, acima de tudo, todo apaixonado.


sábado, 12 de setembro de 2026

CUIDADO SE PENSA ENTREGAR-SE AO AMOR

Crédito: Mikhail Nilov (PEXELS)


Cuidado se pensa entregar-se ao amor,

Em suas mãos débeis deixar sua alma.

Porque, se de um lado, você já se acalma,

Do outro só prova o tormento ou a dor,

Pois tem forte chama, sinal de calor,

Faz tudo ao redor muito fácil findar.

Quem uma vez prova o tal gosto de amar,

Pra sempre que fica com peito afetado,

Tem seu coração por demais disparado

Nos dez de galope na beira do mar.

 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

FOGUEIRA DAS VAIDADES

Crédito: Nuh Isa El Carillo (PEXELS)

 

- Vaidade, tudo é vaidade.

É correr atrás do vento.

Assim diz o Eclesiastes

Lá no Antigo Testamento.

A beleza que é um dom

Torna-se então um tormento.


Há quem diga que a beleza 

É tão grande qualidade,

Porém quando se transforma

Na mais potente verdade,

Que importância tem o belo

Perante a realidade?


Se a beleza exterior

Passa a ser um só caminho,

Torna então o coração

Um tanto quanto mesquinho

E depois de certo tempo

Passa a caminhar sozinho.


E já não se pode mais

Enxergar o indescritível:

O interior das pessoas

Passa a ficar invisível 

E ver através dos corpos

Parece coisa impossível.


Pois quem adora a lindeza

A ponto de ser vaidoso,

Fecha os olhos para o mundo,

Nada vê de valoroso.

Só quem tem bela aparência

Pode ficar orgulhoso.


Começa a cruel corrida

E tudo parece justo,

Mexer onde for preciso:

Abdômen, rosto, busto.

Pra alcançar a perfeição 

Não importa qual o custo.


Agora qualquer detalhe

É medida do sucesso

E o mais preciso centímetro

Pode trazer o progresso

E ao reino das divindades

Dar o tão sonhado acesso.


Bisturi vira varinha

E faz mágica fantástica 

Porque ele tudo pode

Pela cirurgia plástica.

Tomar a estrada mais curta

Nem que lhe pareça drástica.


Queixo, nariz, boca e pálpebra,

A bochecha e a sobrancelha,

As costelas e o quadril,

Não se esqueça da orelha.

Pra tudo tem correção,

Embora não se aconselha.


Na busca desenfreada,

Há quem bastante se ilude.

Em nome da tal estética

Toma qualquer atitude.

Chega a colocar em risco

Até a própria saúde.


É selfie pra todo lado

Buscando o melhor perfil.

Não importa qual o fundo,

Pois é sempre o mesmo ardil:

Postar como natural,

Receber curtidas mil.


Em cada foto tirada

Ter apenas a certeza:

Parecer tão casual

Como a própria natureza.

Ganhar muitos comentários

Acerca de tal beleza.


Na vitrine da altivez,

A mídia dita o padrão, 

Estabelece medidas

Com critérios de exclusão,

Afasta a real beleza

Pra longe da discussão.


Porque, no final das contas,

Parece até engraçado:

Beleza, um dom natural,

Virou promissor mercado,

Vendida como produto

Que pode ser parcelado.


Na corrida do mais belo

É só ganhar ou perder.

Nada é mais importante

Pra que se possa aprender.

Não se enxerga o coração

Que tem muito a oferecer.


E sem mais assim termino

Para evitar confusão.

Jamais fui contra a beleza,

Eu critico a obsessão 

De quem preza a aparência 

E despreza o coração.


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

TRISTES MEMÓRIAS

Crédito: Karolina Grabowska (PEXELS)

 

Lembranças não trazem

Amor de volta,

Retornam somente dor.


Alegria que um dia habitou

Aquele coração cheio de vida,

Hoje é resquício do temor.

Cada lampejo tímido de memória

Antecede um ataque de torpor.


CORDEL DA VIOLÊNCIA

Crédito: Enrico Hanel (PEXELS) “Quem pode mais, chora menos” Já diz o velho ditado. O homem se faz violento Pra não ser violentado Pois arma...