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| Crédito: Raphael Brasileiro (PEXELS) |
Nunca abri mão do direito
De um dia, enfim, ser feliz.
Nunca passei por um mal
Que não deixou cicatriz.
Nunca cometi um erro
Do qual não fosse aprendiz.
Nunca admiti amostras
Do mínimo preconceito.
Nunca deixei de mostrar
Por alguém o meu respeito.
Nunca gostei de fazer
As coisas só do meu jeito.
Nunca desisti dos sonhos
Nem mesmo por um momento.
Nunca escondi de ninguém
O meu real sentimento.
Nunca sequer duvidei
Da força do pensamento.
Nunca conquistei sucesso
Às custas de um outro alguém.
Nunca desejei o mal
A quem não me fez o bem.
Nunca tomei um partido
Somente porque convém.
Nunca quis ganhar no grito
Em nenhuma discussão.
Nunca permiti que o impulso
Calasse a voz da razão.
Nunca concedi ao ódio
Tomar o meu coração.
Nunca aceitei que o errado
Fosse visto como certo.
Nunca mantive distante
Quem me queria por perto.
Nunca ocultei de ninguém
Se era pra ser descoberto.
Nunca desrespeitei regras
Para a boa convivência.
Nunca parei de colher
O fruto da paciência.
Nunca tapei os ouvidos
Para a voz da consciência.
Nunca achei graça nenhuma
Ao ver a miséria alheia.
Nunca deixei seduzir-me
Pelo canto da sereia.
Nunca me expus à aranha
Pra me enredar em tal teia.
Nunca me achei o melhor,
Buscando sempre aprender.
Nunca desprezei a chance
De adquirir mais saber.
Nunca julguei as pessoas
Pelo que ostentavam ter.
Nunca evitei enxergar
A cruel realidade.
Nunca adotei a estratégia
De esconder-me da verdade.
Nunca achei ser algo ingênuo
Falar com sinceridade.
Nunca chamei de covardes
Aqueles que não revidam.
Nunca vi por corajosos
Os sujeitos que intimidam.
Nunca deixei sem respostas
A todos que me convidam.
Nunca abandonei à sorte
Qualquer um dos meus amigos.
Nunca assumi aventuras
Sem cogitar os perigos.
Nunca neguei a ninguém
Os meus braços como abrigos.
Nunca me cansei de crer
Em um futuro brilhante.
Nunca imaginei meu sonho
Uma coisa tão distante.
Nunca recuei meus passos
Em vez de ir adiante.
Nunca falei por impulso
Pra depois se arrepender.
Nunca julguei de antemão
Bem antes de conhecer.
Nunca disse só de ouvir
Pra só depois poder ver.
Nunca falei juramentos
Que não pudesse cumprir.
Nunca entrei em uma luta
Da qual quisesse fugir.
Nunca vi monte tão alto
Que não pudesse subir.
Nunca sofri uma queda
De que o corpo não se ergueu.
Nunca houve uma lição
Que a mente não aprendeu.
Nunca, nunca, sempre nunca.
Assim que se sucedeu.

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