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| Crédito: Enrico Hanel (PEXELS) |
“Quem pode mais, chora menos”
Já diz o velho ditado.
O homem se faz violento
Pra não ser violentado
Pois arma-se até os dentes
E pensa estar preparado.
Estando pronto pra guerra,
Procura por um abrigo.
Corre os olhos ao redor
Na busca pelo inimigo.
No frenesi do combate,
Se fere por fogo amigo.
Em prol da sobrevivência,
Neste afã de combater,
Ele torna-se implacável
Pois é matar ou morrer.
Aos amigos, o perdão.
Aos inimigos, sofrer.
Renuncia à piedade,
Que ela não pode salvar.
Como o mal não tem limite,
Já basta de perdoar.
Velha lei do olho por olho
Passa agora a vigorar.
Pouco a pouco a lei da selva
Também entrou em vigor:
Só os mais fortes sobrevivem,
“Batatas ao vencedor!”
Se não quer ser dominado,
Seja um dominador.
E o homem que é violento,
Pobre vítima inocente,
Nunca percebe que o ódio
Corrói coração e mente
E consome sua alma
Em vingança lentamente.
Quando pensa ter controle,
É que falta consciência.
Quando mata o violento,
Não se acaba a violência.
É preciso muito mais
Pra chegar à sua essência.
Pois saiba que a força bruta
É potente combustível
Para a máquina do mal,
Praticamente invisível,
Como o fogo alimentado
Pronto a tornar-se invencível.
Uma chama que consome
Tudo o que vê pela frente:
As esperanças e os sonhos
E o sangue do inocente,
Que faz, entre tantas vítimas,
A cada amigo e parente.
Como estrada de mão única
Em que se põe a andar,
Quanto mais longe se vai,
Mais difícil de voltar.
E muitos já se perderam
Sem mais chances de voltar.
Então não ceda ao impulso,
Resista à destruição.
Jamais se deixe levar
Por tal brutalização.
Liberte o rancor do peito,
Jogue fora a munição.
Violência por si mesma
Não é questão resolvida.
Por acaso pode a morte
Defender a própria vida?
Não entre por esta porta,
Lá dentro não tem saída.

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