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| Crédito: Ainaz Musavi (PEXELS) |
Não, eu não sou deste mundo.
Não, não pode ser possível.
Eu, que quando era pequeno,
Via a vida tão incrível,
Hoje me debulho em lágrimas
Neste mundo desprezível.
Naqueles tempos dourados,
Alma pura de criança,
Eu corria pelos campos,
Olhos verdes de esperança,
Mesmo sob a tempestade
Esperava por bonança.
Hoje vejo um outro mundo
Cada vez bem mais distante
Dos meus sonhos de menino,
Um lugar angustiante
Onde dinheiro e poder
É muito mais importante.
Basta olhar pra cada adulto
Pra ver tanto preconceito:
Um pronto a julgar o outro,
Achando-se tão perfeito
E pra algo sair certo
Tem que ser só do seu jeito.
As pessoas se evitando
Por todo e qualquer motivo,
Pensando só em si mesmas
E jamais no coletivo,
Hoje é cada um por si,
Nada de cooperativo.
O mundo agora virou
Gigante competição:
O outro, um adversário,
Não há colaboração.
Em que se ganha ou se perde,
Não há terceira opção.
Pessoas gastam o tempo
Com tanta futilidade
Perseguindo as ilusões,
Se afastando da verdade,
Para depois se queixar
Que falta oportunidade.
Mas os sonhos verdadeiros
Não encontram mais lugar.
Todos estão ocupados
Sem um tempo pra sonhar.
“Isto é coisa de criança”
Costumam justificar.
Crianças virando adultos
Muito bem antes da hora,
Perdendo tantos valores
Que pra sempre vão embora
E que um dia farão falta,
Mas ninguém vê isso agora.
Não sou mesmo deste mundo
E disso tenho certeza.
Jamais pensei encontrar
Males dessa natureza.
Surtos de perversidade
Roubaram minha pureza.
O mundo que conheci
Foi retirado de mim.
E deram um outro em troca,
Mas não gosto dele assim
E sei que não há mais volta,
Será este até o fim.
Por isto quero ir embora
Da cruel realidade.
O tempo de minha infância
Deixará muita saudade.
Nessa época dourada
Eu fui feliz de verdade.

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