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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

FOGUEIRA DAS VAIDADES

Crédito: Nuh Isa El Carillo (PEXELS)

 

- Vaidade, tudo é vaidade.

É correr atrás do vento.

Assim diz o Eclesiastes

Lá no Antigo Testamento.

A beleza que é um dom

Torna-se então um tormento.


Há quem diga que a beleza 

É tão grande qualidade,

Porém quando se transforma

Na mais potente verdade,

Que importância tem o belo

Perante a realidade?


Se a beleza exterior

Passa a ser um só caminho,

Torna então o coração

Um tanto quanto mesquinho

E depois de certo tempo

Passa a caminhar sozinho.


E já não se pode mais

Enxergar o indescritível:

O interior das pessoas

Passa a ficar invisível 

E ver através dos corpos

Parece coisa impossível.


Pois quem adora a lindeza

A ponto de ser vaidoso,

Fecha os olhos para o mundo,

Nada vê de valoroso.

Só quem tem bela aparência

Pode ficar orgulhoso.


Começa a cruel corrida

E tudo parece justo,

Mexer onde for preciso:

Abdômen, rosto, busto.

Pra alcançar a perfeição 

Não importa qual o custo.


Agora qualquer detalhe

É medida do sucesso

E o mais preciso centímetro

Pode trazer o progresso

E ao reino das divindades

Dar o tão sonhado acesso.


Bisturi vira varinha

E faz mágica fantástica 

Porque ele tudo pode

Pela cirurgia plástica.

Tomar a estrada mais curta

Nem que lhe pareça drástica.


Queixo, nariz, boca e pálpebra,

A bochecha e a sobrancelha,

As costelas e o quadril,

Não se esqueça da orelha.

Pra tudo tem correção,

Embora não se aconselha.


Na busca desenfreada,

Há quem bastante se ilude.

Em nome da tal estética

Toma qualquer atitude.

Chega a colocar em risco

Até a própria saúde.


É selfie pra todo lado

Buscando o melhor perfil.

Não importa qual o fundo,

Pois é sempre o mesmo ardil:

Postar como natural,

Receber curtidas mil.


Em cada foto tirada

Ter apenas a certeza:

Parecer tão casual

Como a própria natureza.

Ganhar muitos comentários

Acerca de tal beleza.


Na vitrine da altivez,

A mídia dita o padrão, 

Estabelece medidas

Com critérios de exclusão,

Afasta a real beleza

Pra longe da discussão.


Porque, no final das contas,

Parece até engraçado:

Beleza, um dom natural,

Virou promissor mercado,

Vendida como produto

Que pode ser parcelado.


Na corrida do mais belo

É só ganhar ou perder.

Nada é mais importante

Pra que se possa aprender.

Não se enxerga o coração

Que tem muito a oferecer.


E sem mais assim termino

Para evitar confusão.

Jamais fui contra a beleza,

Eu critico a obsessão 

De quem preza a aparência 

E despreza o coração.


Um comentário:

FOGUEIRA DAS VAIDADES

Crédito: Nuh Isa El Carillo (PEXELS)   - Vaidade, tudo é vaidade. É correr atrás do vento. Assim diz o Eclesiastes Lá no Antigo Testamento. ...