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| Crédito: Alex Does Pictures (PEXELS) |
Pudera um dia embarcar
Em viagem temporal
Dar um gigantesco salto
De forma fenomenal
Qual filme de ficção
E partir em direção
À Era Medieval.
Em alguns poucos segundos
Sobrevoar a América
Cruzar o extenso oceano
Em uma aventura homérica
Para enfim aterrissar
E com os meus pés tocar
Em plena península ibérica.
Quisera ser Dom Quixote
Bravo cavaleiro andante
Montado com toda pompa
No cavalo Rocinante
No lombo de tal corcel
Como um herói de cordel
Cavalgar bem confiante.
Armadura luzidia
Brandindo afiada lança
Um escudo indestrutível
Tal qual a sua esperança
Com o elmo de Mambrino
Corajoso paladino
Num coração de criança.
Para sair pelo mundo
Falta só um escudeiro
Pra partilhar aventuras
De espírito verdadeiro
Lado a lado na jornada
Disposto a qualquer parada
Um digno companheiro.
Eis que surge Sancho Pança
O meu amigo fiel
Faremos tantas proezas
Que ficarão no papel
Os nossos feitos de glória
Vão dar a mais bela história
Tema pra tela e pincel.
Iremos estrada afora
Pra defender a justiça
Porque pra fazer o bem
Não se pode ter preguiça
Fortalezas pra invadir
Também baixar e subir
Toda ponte levadiça.
Tenebrosos oponentes
Para enfrentar em duelo
Batalhas das mais cruéis
A defender um castelo
Sem exigir recompensa
Pois o bem a si compensa
É dos prêmios o mais belo.
Lembrando que um cavaleiro
Luta pelos oprimidos
É a única defesa
Para muitos desvalidos
Isso não é nada novo
Ele protege seu povo
Sempre escuta seus gemidos.
Vamos combater gigantes
Sem temor e sem lamento
Não importa que me digam
Que são moinhos de vento
Não serei enfeitiçado
Nem tampouco amedrontado
Pois este é o meu momento.
Logo depois bem galante
Sob o tom mais respeitoso
Declaro-me a minha dama
Dulcineia del Toboso
Que graciosa donzela
Ninguém viu mulher mais bela
Com olhar tão carinhoso.
Podem me chamar de louco
Mas jamais serei fracote
Até me achar sonhador
Um utópico velhote
Que vive só de ilusão
A alguém que se diz são
Prefiro ser Dom Quixote.

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