![]() |
| Crédito: Olivia (PEXELS) |
Verdade procuro ainda
Entre teus lábios
Sepultada sob mentiras
Nosso amor foi apenas ilusão
Sendo eu o único crédulo
Nada que disseste que
sentiras
Tinha certo tom de veracidade
Falsas promessas soantes como
liras.
![]() |
| Crédito: Baraa Obied (PEXELS) |
Escalo dia a
dia a montanha dos meus pecados
Minha subida
adquire a cor da eternidade...
Na mente a
possibilidade de não chegar ao topo.
O coração
recorda, saudoso, os dias de sol
Cujo brilho
ofuscava os olhos
E o calor
aquecia todo o corpo.
À frente e
acima, nada além de um céu nebuloso
Chega o dia
em que se tem de seguir só
Não adianta
gritar, pois não há ouvidos
Nenhum
auxílio com o qual se possa contar.
Algumas
pedras rolam em minha direção
Não passam
de mais um obstáculo.
Pois na subida não há passagem livre.
![]() |
| Crédito: ATC Comm Photo (PEXELS) |
Quem dera descobrisse tal segredo
Que se esconde detrás do coração...
Qual força converte a pura emoção
De forma repentina em brusco medo?
Como um tórrido amor se acaba cedo
Sob o gosto de fel da traição?
Como se esquece tão terna afeição
Ao partir, triste amante, em seu degredo?
Talvez, mero capricho desse amor
Ou oculta o real querer no peito
Ou se abandona em seu louco furor
Desejo quase nunca satisfeito
O que resta? Entregar-se ao seu calor
Ou chorar o pedido nunca feito.
![]() |
| Crédito: Orhan Pergel (PEXELS) |
“Há coisas
que deviam ficar do jeito que estão. A gente devia poder enfiá-las num daqueles
potes enormes de mostruários de vidro e deixá-las em paz”.
Aterrissemos,
então, na cidade em dezembro de 1949, mas que só surge no ano de 1951 (data de
publicação do romance), onde encontraremos o adolescente Holden Caulfield, um
jovem de dezessete anos, protagonista da trama (que cabe lembrar: dura uma
semana), que acaba por ser expulso do colégio interno onde estudava, na
Pensilvânia, e que adia sua volta para casa pelo motivo de ter de enfrentar a
sua família. Nosso personagem, como todo e qualquer adolescente, acredito eu, tenta
traçar, para si mesmo, um norte para a sua vida. Para isso, busca refletir
sobre o que tem passado e, como toda pessoa num momento de introspecção, busca
encontrar um sentido para sua existência. Ao chegar a sua cidade natal, vai
hospedar-se em um hotel e, a partir daí, encontra outras pessoas (desconhecidas
e conhecidas) que lhe servem de referência para o encontro de sua identidade.
Nosso herói encontra-se perdido. Já ouvi, só não me lembro antes (consequências
do avanço da idade) que nós acabamos por nos reconhecer no outro.
Alguns
encontros tornam-se de extrema importância para ele, como a antiga namorada
Sally, que não concorda em fugir com ele, o que lhe causa muita frustração; a
irmã pela qual nutre uma imensa admiração, que é recíproca, que se dispõe a
fugir com o irmão, mas este recusa; e o professor antigo muito admirado por ele:
o senhor Antolini. Referindo-se ao título: Holden tem um sonho, com frequência,
no qual se encontra em um campo de centeio repleto de crianças, evitando-as que
caiam em um precipício que se situa ao fim da plantação. Ele conta esse sonho
ao seu mestre que lhe faz uma importante observação: o homem maduro é aquele
que, com toda a humildade, procura viver por uma causa, e não morrer de uma
forma heroica e nobre pela mesma. Ele deixa a casa de seu professor e perambula
pela cidade em estado de reflexão sobre tudo que ouviu. Nosso personagem sente
que precisa dar um rumo a sua vida, mas qual? Eis, caro amigo leitor, a questão
que se mostra desde o início da narrativa.
Há
muitas histórias acerca desse livro, escrito por J. D. Salinger (acredito ser o
único dele) que alcançou uma notoriedade talvez jamais imaginada pelo autor, o
qual se retirou para uma vida mais reclusa, sem nunca dar qualquer entrevista
sobre a referida obra, que se tornou um marco na vida de muitos leitores
adolescentes, entre eles muitas celebridades. O nobre leitor pode estar
pensando: “Mas não tem nada de mais nesse enredo, é absolutamente comum”. Concordo
com você. Levando-se em conta as outras narrativas que já passaram por essa
coluna, hei de concordar sem esforço algum. Mas, quem disse, que para um enredo
chamar a atenção, ele precisa ser algo fora do comum, tendo o insólito e a
fantasia como suas referências? Venho, mais uma vez, lembrar ao amado leitor,
que o objetivo dessa coluna é justamente mostrar o quanto a literatura, como
toda arte, conecta-se à realidade de forma indiscutível, apesar de ser
considerada apenas uma ficção.
Holden
carrega consigo o estigma do adolescente que, apesar de inteligente, traz um
emaranhado de dúvidas de natureza emocional com relação ao mundo que o cerca. Na
mesma idade que o referido protagonista, nossos adolescentes aqui no Brasil,
preparam-se para tomar decisões importantes, como a futura profissão que
seguirão, muitas vezes, representada por uma frase que considero muito infeliz:
“Você já está na idade de saber o que quer da vida”, tudo isso sem qualquer tipo
de experiência prática em sua vivência (boa parte deles, para não dizer
maioria, nunca trabalharam ou tiveram qualquer contato com qualquer espécie de
ofício). Contudo, eles precisam escolher um curso para prestar o vestibular.
Se, na época de nosso protagonista, já era uma decisão difícil, com poucas
opções, imagine o que se dizer dos dias de hoje, com novos cursos, que brotam
aos montes, muitos dos quais eu nem fazia a mínima ideia de que existiam. Há a
pressão da sociedade e a pressão do vestibular e, como se não bastasse, para
piorar para o jovem em questão, muitos costumam fazer comparações com filhos de
amigos e parentes, como se houvesse um padrão, ou ainda temos as frases
paternais do tipo “Na sua idade eu já sabia muito bem o que queria da vida.
Portanto, não é de se estranhar que vários deles abandonem seus cursos e ainda
sejam vistos como fracassados.
O
protagonista de Salinger representa o adolescente que se vê perdido em uma fase
que, aliás, entendo como muito confusa, pois não se é mais visto como criança,
ao passo que se é lembrado, a toda hora, que ainda não é adulto para cuidar da
própria vida. Difícil compreender onde se encaixar na faixa etária da vida, não
acha, amigo leitor? Pode ser que a alguns eu pareça estar sendo um tanto quanto
permissivo e este ou aquele leitor acabe pensando que estou poupando nossos
adolescentes. De forma alguma. Desejo aqui apenas lembrar o quanto se torna
difícil e complicado tomar uma decisão desse calibre na idade em que se
encontra na vida, com pouca distância percorrida. Gosto ainda de recordar que
muitos pais, talvez de forma inconsciente, determinam o futuro de seus filhos
em vez de dar-lhes subsídios necessários para tomarem suas próprias decisões,
achando, dessa forma, que estão fazendo um verdadeiro bem a eles ou ainda
colocando que eles não têm um minuto a perder.
Como
professor de adolescentes há décadas (sim, já faz um bocado de tempo), penso em
quanto o mundo que nos cerca tem mudado (de forma vertiginosa nos últimos anos)
e como as mídias têm deixado nossas crianças e jovens cada vez mais “adultizados”
com o único propósito de os tornarem consumidores em potencial. É esse mundo,
hipócrita e interesseiro, que desperta a revolta de Holden, fazendo cair sobre
ele o rótulo de rebelde. Entretanto, caro leitor, quero aqui lembrar que eles
ainda não são adultos, no verdadeiro sentido da palavra a qual lhes atribui a
total responsabilidade por tudo, por isso, precisam muito de orientação, além
do mais em uma realidade tão complexa em que se transformou esse nosso universo.
Nossos adolescentes nos provocam o tempo todo, na verdade, suplicando por
limites e orientações. Assim como descobriu nosso protagonista, nenhum de nós jamais
será o herói que salvará todas as crianças de caírem no penhasco (símbolo da
perda da inocência) que está à beira do campo de centeio. Somos guias,
conselheiros, amigos que, convém ressaltar, sem a perda e a isenção da
autoridade, temos a responsabilidade de conduzi-los da melhor maneira para que
possam ser felizes em suas escolhas. Após termos feito o nosso papel nesse
mundo, resta-nos, somente, esperar e torcer por cada um deles para que possam
ser felizes, lembrando os versos de uma canção de Renato Russo: “Todos os dias
quando acordo / Não tenho mais / O tempo que passou / Mas tenho muito tempo / Temos
todo o tempo do mundo”. Até a próxima.
![]() |
| Crédito: Genaro Servin (PEXELS) |
Precisa buscar por alguma instrução
A fim de poder melhorar nesta vida,
Saber que nos traz importante guarida,
O bem que liberta de toda prisão
Quebrando os grilhões dessa torpe exclusão.
Com livros e ideias que vão libertar,
Procura na vida bastante estudar,
Então se livrar dessa vil ignorância,
Dar pra sua marcha uma nova constância
Nos dez de galope na beira do mar.
![]() |
| Crédito: Mr. Pixel (PEXELS) |
De tempo em tempo é preciso
Livrar-se da correria
Abrir a porta da jaula
Da prisão do dia a dia
Sorver um tanto de ar puro
Cavalgar na ventania.
Livrar-se da velha roupa
Em nosso corpo colada
Colocar aquela nova
Há muito tempo guardada
Que até ficou esquecida
Por achar-se muito ousada.
Abrir sua antiga mala
Já tomada de poeira
Colocar roupas e sonhos
Também muita brincadeira
E pela porta da frente
Sair de forma faceira.
Fazer questão de deixar
Pra trás o que prende ao mundo
Largar aquele relógio
Pra não contar o segundo
No lago da eternidade
Mergulhar até o fundo.
Desligar o celular
Pra ficar conectado
E já colocar no status
Livre, porém ocupado
Com o mundo natural
Virtual já desligado.
Tomar o assento do carro
Sem a pressa de chegar
Os vidros todos abertos
Pra poder admirar
A beleza da paisagem
A qual vai te acompanhar.
O destino na memória
Que há muito se planejou
Dizendo para si mesmo
Que aquele dia chegou
E festejar o passeio
Que somente começou.
E com olhos bem abertos
Não perder um só momento
Registrar cada imagem
Sentir cada movimento
Pra guardar no coração
Não cair no esquecimento.
E bem lá à sua frente
Ao atingir tal destino
Tomar-se de empolgação
Como faz qualquer menino
E ver no espelho das águas
Teu sorriso cristalino.
Vislumbrar toda ruína
Como quem vê um castelo
Sentir tanto privilégio
Em face do mais singelo
Ver que da simplicidade
Brota o que há de mais belo.
Contemplar toda a beleza
Mas não por trás de uma lente
E reaprender a olhar
De uma forma diferente
Não é pra compartilhar
É para guardar na mente.
Beber a felicidade
Que nada pode comprar
Sorvê-la em enormes goles
Pra logo se embebedar
Descobrir que o paraíso
Pode ser o seu lugar.
Crédito: Atypeek Dgn (PEXELS) Já não importa o tempo que demora Pra alcançar o lugar tão pretendido Logo após o propósito atingido Não recue...